PT quer candidato próprio apoiado por aliados para suceder Lula

Sem candidato natural para suceder opresidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT aprovou nestedomingo, no encerramento do 3o Congresso Nacional da sigla,resolução segundo a qual o partido precisa ser "dirigente" deuma chapa governista nas eleições de 2010 para o Palácio doPlanalto. "(O partido deve) apresentar uma candidatura petista àsucessão de Lula, capaz de liderar, juntamente com outrospartidos, uma ampla aliança partidária e social e vencer aseleições de 2010", diz o texto, que foi aprovado pelosdelegados do encontro na manhã de domingo. Para amenizar possíveis conflitos com os partidos da basealiada, o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), fechou com as lideranças dos delegados do partido a inclusão deum novo trecho na resolução, mas ameno e em linha com odiscurso feito por Lula no sábado. "O PT apresentará uma candidatura a presidente a serconstruída com outros partidos, e assim formar uma aliançaprogramática, partidária e social capaz de ser vitoriosa naseleições de 2010", afirma o documento final. Na véspera, Lula declarou que o PT tem a opção de formaruma coalizão para sucedê-lo, ainda que isso implique em apoiarum nome de outro partido. Apesar do discurso mais ameno, que busca não melindrar osaliados como o PSB, do ex-ministro Ciro Gomes (CE), e o PMDB,partido com o maior número de representantes na Câmara dosDeputados e no Senado, muitos petistas presentes defenderam acandidatura própria. "Um partido que não tenha isso como projeto nem merece serchamado de partido. O PT tem o dever político de no tempo e nahora adequada apresentar nomes para sucessão do Lula", disse ajornalistas o governador de Sergipe, Marcelo Déda. "Só não sei se merecia fazer disso uma deliberação, noCongresso. Ao virar resolução, antecipa um debate que não é bompara quem está governando. Cria um ruído. Ou alguém duvida queo PT vai buscar apresentar o seu nome e tentar convencer osdemais de que o seu nome é o melhor?", declarou. Berzoini disse que o texto sobre a tática para as próximaseleições visa demonstrar publicamente que o PT está disposto adiscutir a formação da chapa governista para 2010, ainda quetenha "vocação, condições e potencial para ter candidato". "(Antes de fechar a candidatura própria) precisa dialogar,precisa construir alianças. Se nós partirmos do pressuposto queo candidato obrigatoriamente é do PT, vamos dar uma mensagemque não é boa para quem quer construir alianças", afirmou eleapós o congresso da sigla. REPETECO Secretário do PT, Valter Pomar afirma que apesar do desejode manter os aliados, o partido fará o mesmo que nas eleiçõespresidenciais desde 1989, apesar de não ter candidato naturalpara suceder Lula. O atual presidente é o único que representoua sigla nas votações para o Palácio do Planalto desde areabertura democrática, em 1985. "Nós construímos todas as candidaturas do Lula com outrospartidos. É isso que nós buscaremos fazer para 2010. Essamudança que fizemos no texto foi para deixar explícita a nossavontade de uma coalizão. A opinião de quase todo o PT é de tercandidatura própria", disse. Animado com as perspectivas para fazer o sucessor de Lula,dentro ou fora do PT, apesar das dificuldades que enfrenta naJustiça, o ex-ministro José Dirceu especulou sobre os possíveiscandidatos do partido para o Palácio do Planalto. Ele citou os ministros Tarso Genro, Dilma Rousseff e MartaSuplicy, os senadores paulistas Aloizio Mercadante e EduardoSuplicy e o governador da Bahia, Jaques Wagner, como petistaspresidenciáveis. Mas ponderou também sobre as chances de CiroGomes, por quem disse que faria campanha como se fosse para umfiliado do PT. "(Ciro) está conosco desde o segundo turno de 2002. É leal,foi excelente ministro do presidente Lula e nós temosnecessidade de nos aproximar do PSB e do PC do B", disse Dirceudepois de ir ao encontro dos jornalistas, algo que raramentefaz nos encontros petistas desde que foi acusado de chefiar oesquema de compra de votos de deputados, em 2005. Dirceu também citou o PMDB como sigla de onde poderia virum candidato da coalizão governista, mas não especulou sobrenomes.

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