PT quer apuração em mudanças no relatório de CPI

Parlamentares do PT que integram a CPI dos Correios anunciaram que o partido vai encaminhar ao Ministério Público um documento pedindo investigação dos pontos que foram retirados ontem do relatório final dos trabalhos da comissão de inquérito momentos antes da votação em que foi aprovado o texto do relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).Os petistas protestaram contra a retirada de pedidos de indiciamento e nomes de pessoas envolvidas em suspeita de favorecimento para distribuição de franquias dos Correios e de irregularidades em contratos para transporte aéreo noturno, entre outros pontos. Em vista disso, encaminharam à presidência do Senado um recurso pedindo a anulação da sessão em que foi aprovado o relatório de Serraglio e a realização de uma nova votação.Os autores do recurso esclareceram, porém, que, se o pedido for rejeitado, não se oporão ao envio do relatório aprovado para o Ministério Público. Eles descartaram a hipótese de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). "Houve irregularidades no procedimento de votação. Mas nosso recurso não será utilizado de forma alguma para impedir que o relatório seja encaminhado ao Ministério Público. Queremos garantir que o relatório vá", disse o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP).Rolo compressorOs parlamentares reclamam do colega de partido e presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (MS), que, para eles, fez um "rolo compressor" na votação de ontem. Reclamam que a votação foi iniciada sem que Serraglio tenha apresentado a versão final do texto; que Delcídio não permitiu que se levantassem questões de ordem e que ele impediu a votação de destaques, depois da aprovação do relatório."Ele (Delcídio) violou todas as práticas democráticas", disse o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que chegou a xingar o presidente da CPI, na noite de ontem. Os parlamentares não quiseram falar publicamente sobre possíveis pedidos de punição a Delcídio. "Cada dia com sua agonia", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC).Mudanças feitas por Osmar Serraglio em seu relatório:. Deixa claro que foi a diretoria de Marketing do Banco do Brasil que foi conivente com os adiantamentos feitos para a DNA, agência de publicidade de Marcos Valério Fernandes de Souza. . Retira o nome de Márcio Lacerda, ex-secretário executivo do ex-ministro Ciro Gomes, da lista de pessoas que sacaram recursos do mensalão. . Retira da lista de indiciamentos ex-dirigentes do Instituto de Resseguros do Brasil, como Lídio Duarte e Luiz Apolônio Neto.. Retira da lista de indiciamentos o nome do atual presidente dos Correios, Jânio Pohren.. Retira da lista de indiciamentos o nome do ex-presidente do Banco do Brasil Cássio Casseb. Retira da lista de indiciamentos o nome do atual vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade. Retira a recomendação de investigação de Armando Ferreira da Cunha e do ex-deputado estadual João Leite Neto por suposto envolvimento em irregularidades com franquias dos Correios.. Incluiu no relatório a visão do PT de que o Fundo Visanet, apontado como uma das fontes do valerioduto, não é formado por recursos públicos.

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