PT quer agilidade do procurador no 'mensalão tucano' em Minas

O caso, que foi investigado pela PF, também envolve Marcos Valério e o hoje senador Eduardo Azeredo

Vera Rosa e Wilson Tosta, do Estadão,

01 de setembro de 2007 | 20h33

O PT aprovou neste sábado, 1, texto no qual solicita à Procuradoria-Geral da República "agilidade" na instauração dos processos judiciais relativos às denúncias de caixa dois na campanha do PSDB ao governo de Minas, em 1998. O caso, que foi investigado pela Policia Federal, também envolve o publicitário Marcos Valério - acusado de ser o operador do mensalão - e o hoje senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Ressalte-se que a PF já finalizou o inquérito, comprovando a denúncia, e o enviou à Procuradoria-geral da República", diz o texto apresentado pelos dirigentes petistas Gleiber Naime e Rogério Correia.    Veja também:   PT aprova plebiscito para reestatizar Vale José Dirceu diz que nunca pediu apoio ao PT Bernardo elogia Lula por discurso sobre mensalão Da crise do mensalão à volta do socialismo  Os quarenta do mensalão  Lula diz que petistas devem defender réus do mensalão Suplicy canta Racionais e Bob Dylan em evento     Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) acolheu denúncia contra Valério e outras 39 pessoas, entre elas vários petistas, como o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu, por crimes como corrupção e formação de quadrilha, no caso do suposto pagamento de propina a parlamentares para que apoiassem o governo Lula, denunciado pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), em 2005.   Na última quinta-feira, Azeredo voltou a afirmar inocência no suposto desvio de recursos. Segundo ele, o "valerioduto" mineiro se restringiu a arrecadação para o caixa 2 da campanha, processo do qual não tinha conhecimento. O então tesoureiro da campanha tucana, Cláudio Mourão, assumiu a responsabilidade pela arrecadação paralela. "Nunca houve mensalão em Minas Gerais", afirmou o senador.   A declaração de Azeredo foi uma resposta à intenção do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de pedir ao STF a abertura de processo penal, até o final de setembro, contra ele. Para o procurador, o esquema embrião do que atualmente é chamado de "mensalão" destinou-se ao financiamento, em 1998, da campanha do então candidato tucano ao governo do Estado de Minas Gerais. Na época, Azeredo foi derrotado nas urnas.   Investigação feita pela Polícia Federal encontrou indícios de que houve uso de recursos públicos no caso do valerioduto mineiro. Aberto em dezembro de 2005, o inquérito da PF descobriu evidências da existência de esquema de distribuição de recursos a partir de empresas de Marcos Valério para financiar a campanha de políticos tucanos de Minas. Com os resultados obtidos pela PF, parte dos envolvidos poderá ser enquadrada nos crimes de peculato e lavagem de dinheiro.

Mais conteúdo sobre:
Congresso do PT

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.