PT punirá envolvidos, diz Garcia

O presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, ainda se esforça. Mesmo com o encerramento da CPI dos Sanguessugas e já decorridos mais de dois meses desde o seu anúncio de ´expulsão política´ dos quatro envolvidos no episódio da tentativa de compra do dossiê Vedoin, ele continua assegurando que seu partido não fará vista grossa para os casos dos dois militantes que foram apelidados de "aloprados" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ainda permanecem filiados, segundo reportagem publica no Estado neste domingo. Na última sexta-feira Garcia garantiu que o partido instalará uma Comissão de Ética para formalizar a expulsão do ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso e do ex-sindicalista Oswaldo Bargas, amigo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Para os que não se desligaram, vamos ter que instituir uma Comissão de Ética", afirmou. Em relação aos prazos, ele não foi preciso: "Vamos ver agora, a partir do ano que vem. No começo do ano vamos começar a trabalhar nisso." Bargas e Veloso foram alvo da "expulsão política" no início de outubro, junto com outros dois envolvidos no caso do dossiê com acusações contra candidatos tucanos: o ex-assessor da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, Hamilton Lacerda, e o ex-analista de risco e mídia da campanha do presidente Lula à reeleição, Jorge Lorenzetti. Mas, na prática, eles permanecem filiados. Isso ocorre porque o estatuto do PT exige a realização de um procedimento disciplinar interno para formalizar as expulsões. Nos casos de Lacerda e Lorenzetti, eles facilitaram as coisas para o PT: os dois tomaram a iniciativa e enviaram à direção da legenda uma carta solicitando a desfiliação. Pressões Ao longo dos últimos meses, diversos setores do PT fizeram pressões para que Bargas e Veloso seguissem os passos dos outros envolvidos no caso do dossiê. Na opinião deles, esse seria o melhor caminho para livrar o partido de uma ´agenda negativa´ e deixá-lo integralmente voltado à campanha pela reeleição de Lula e, num segundo momento, ao debate em torno da formação do novo governo. Pelas regras do PT, qualquer filiado pode solicitar a abertura de uma Comissão de Ética para investigar as ações de outro militante. Para isto basta apresentar uma petição, cuja pertinência será julgada pela Executiva Nacional da legenda. No caso do dossiê, apesar de diversos representantes do partido terem defendido a instalação do processo disciplinar, ninguém apresentou o pedido à direção petista. Nem mesmo no auge do escândalo, com a exposição dos pacotes de dinheiro que seriam usado na compra do dossiê, num episódio que contribuiu decisivamente para a realização do segundo turno das eleições presidenciais.

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