PT protege Vargas em processo no Conselho de Ética, diz relator

Petistas não comparecem à oitiva realizada nesta manhã sobre o processo contra o deputado e Júlio Delgado (PSB-MG) vê interesse da legenda para manter mandato; defesa nega manobra

Daiene Cardoso, Agência Estado

18 Junho 2014 | 13h44

Brasília - O relator do processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado André Vargas (sem partido-PR) no Conselho de Ética da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), disse que o não comparecimento das testemunhas do PT na oitiva na manhã desta quarta-feira, 18, demonstra o interesse da sigla em proteger o ex-petista. "Há um ato de proteção ao mandato de André Vargas", afirmou Delgado.

Das oito testemunhas arroladas pelo relator, nenhuma compareceu à reunião do Conselho de Ética, entre elas os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP), o líder Vicentinho (SP) e o presidente nacional da sigla, Rui Falcão (SP). O doleiro Alberto Youssef, preso no Paraná, prestará esclarecimentos via videoconferência no dia 1º de julho, e o dono do jatinho que o doleiro cedeu a Vargas, o empresário Bernardo Tosto, responderá por escrito às perguntas do Conselho. Quem não compareceu à sessão de hoje receberá nova notificação.

Delgado também condenou a tentativa da defesa de Vargas de "protelar" o trâmite do processo. Mais uma vez, o advogado Michel Saliba pediu nesta manhã que os membros do Conselho avaliem primeiramente os autos da operação Lava Jato antes de ouvir as testemunhas. O defensor alegou que Vargas ainda não responde formalmente a nenhum inquérito e que não há elementos para julgá-lo de forma equilibrada. "Não teríamos elementos para chegar a um julgamento minimamente justo", afirmou Saliba.

Neste momento, o advogado disse que a defesa ainda não estuda nenhuma ação judicial contra o trâmite do processo no Conselho de Ética. Ele, no entanto, questionou a pressa em analisar o caso antes do início do recesso parlamentar de meados de julho. "Acho que é um atropelo desnecessário que pode gerar nulidade (no futuro). Acho preocupante agir de maneira açodada", disse.

Saliba também rebateu a tese de proteção do PT ao parlamentar, uma vez que Vargas se desfiliou do partido. Ele concluiu que o caso André Vargas tem tirado o foco da CPI da Petrobrás, principalmente das denúncias envolvendo a construção da refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco. O Estado foi governado pelo presidenciável Eduardo Campos (PSB), aliado do relator do processo contra Vargas. "O destaque excessivo ao deputado André Vargas me causa estranheza", insinuou.

Aos jornalistas, o advogado negou que Vargas tenha mantido uma relação com o doleiro Alberto Youssef e sim com o "empresário Alberto Youssef". Segundo Saliba, o ex-petista não tinha "bola de cristal" para saber que Youssef continuava a agir como doleiro e que o deputado não está envolvido com as acusações de lavagem de dinheiro e evasão de divisas. "A relação dele (Vargas) é institucional, de colaboração com o empresário", respondeu.

Mais conteúdo sobre:
VargasConselho de Éticarelator

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.