PT propõe julgar caso Renan num só pacote

Idéia é que senador seja submetido a julgamento único, independentemente do número de representações

Rosa Costa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2019 | 00h00

O PT propôs ontem que o Senado junte em um pacote só todas as denúncias contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Em vez de analisar isoladamente as representações ao Conselho de Ética e votar os relatórios separadamente, os petistas propuseram que, na prática, Renan seja submetido a um único julgamento, não importa quantas representações sejam feitas e acolhidas pelo colegiado. Diante da proposta, o presidente do Conselho de Ética, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), decidiu suspender a sessão de hoje, marcada para votar o parecer sobre o caso Schincariol. Quintanilha negou que o adiamento se trate de nova manobra protelatória. "Ela foi tomada depois de ouvir todos os líderes. E todos concordaram." O adiamento da reunião pode ser considerada a primeira vitória da estratégia do PT, que não queria, no espaço de uma semana, ser acusado, mais uma vez, de ajudar a absolver o presidente do Senado.Na reunião do Conselho de Ética que estava prevista para hoje, o relator da denúncia da Schincariol, João Pedro (PT-AM), diria que, diante da falta de provas, os senadores devem aguardar que a Câmara faça a investigação do caso, que tem como protagonista o irmão de Renan, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Essa foi a dica para o PT propor o pacote de unificação das acusações.CONVENCIMENTOO procedimento vai ainda unificar o trabalho do Planalto de convencer senadores a votarem em favor de Renan. "Que o Senado vote as três representações, de preferência, numa única sessão e, de preferência num único dia, para que possa dar uma resposta definitiva a esse episódio", defendeu o senador Aloizio Mercadante (PT-SP).Relator do parecer que condenou Renan na primeira representação, Renato Casagrande (PSB-ES) disse ser difícil realizar ao mesmo tempo o processo de investigação de denúncias diferentes, o que inviabilizaria a idéia de votá-las ao mesmo tempo. Segundo ele, o certo a fazer agora é dar agilidade à tramitação de todas as representações, sem as manobras ocorridas no exame da primeira delas. Mesmo antes de reunir a bancada, o líder do DEM, José Agripino (RN), disse ser contra a proposta do PT. "São representações diferentes, têm origem e causas distintas e, portanto, merecem tratamento diferente." Para Álvaro Dias (PSDB-PR), a sugestão dos petistas só teria sentido se o voto fosse aberto e não secreto, como é hoje. "Senão, dará lugar a barganhas que não interessam à opinião pública."

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