Wilton Junior/AE
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PT proíbe militantes de protestar contra Obama no Rio

Em nota, comando fluminense da legenda nega existência de apoio a qualquer 'manifestação hostil' ao presidente americano e desautoriza manifestações em nome do partido

Wilson Tosta, Pedro Dantas e Bruno Boghossian, da Agência Estado

17 de março de 2011 | 18h07

RIO - O comando do PT fluminense proibiu nesta quinta-feira, 17, militantes do partido de participar dos atos contra a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao Brasil. Um dos organizadores das manifestações é o secretário de Movimentos Populares do PT no Rio, Indalécio Wanderley.

Em nota oficial, o presidente do PT fluminense, Jorge Florêncio, negou a existência de "qualquer tipo de deliberação" oficial petista "no que concerne a organização, participação e apoio a qualquer tipo de manifestação hostil" ao mandatário norte-americano. O texto "desautoriza a qualquer membro a manifestar opinião, em nome do partido, que não reflita o posicionamento oficial".

"Teve uma pessoa, de uma secretaria (do partido), que fez uma comunicação dos movimentos populares", afirmou Florêncio, sem se referir nominalmente a Wanderley e procurando desvincular o PT dos protestos. "Nenhuma instância da legenda aprovou a participação de seus integrantes nos atos anti-Obama".

Defendendo a visita, a nota do PT afirma que o Brasil se consolida "como um estratégico interlocutor no cenário político internacional" e diz que, neste momento, a vinda de Obama "deve ser encarada como importante passo para afirmação" dos interesses políticos e comerciais brasileiros. "Receber o presidente Barack Obama na cidade do Rio de Janeiro no próximo domingo constitui-se [em] importante oportunidade de consolidarmos a imagem da Cidade Maravilhosa, do Estado do Rio de Janeiro e do Brasil no cenário internacional", justifica o texto.

Para Wanderley, a nota não cria nenhum problema à participação de petistas nas manifestações, porque eles irão aos atos como militantes de outras organizações. "De onde são os membros da CUT? 90% são do PT", exemplificou o sindicalista, que também é secretário de Organização Sindical da CUT fluminense. "Os movimentos sociais não são do PT, são da sociedade brasileira", afirmou, defendendo a importância dos atos contra a visita do presidente norte-americano.

"Não podemos esquecer o que os Estados Unidos fizeram no Brasil em 64", afirmou Wanderley, em referência ao golpe militar que derrubou o presidente constitucional, João Goulart, e instituiu uma ditadura que durou até 1985. "Quem leva um tapa na cara esquece? O povo brasileiro está acima de Obama. Obama é o presidente do imperialismo americano".

Protestos. Várias manifestações estão marcadas para ocorrer durante o discurso de Obama no domingo. De parentes das vítimas do voo 1907 da Gol até remanescentes da Brizolândia (espaço de protesto que era mantido pelo PDT na Cinelândia), diversas entidades populares estão convocando militantes para manifestações e reivindicações variadas destinadas ao líder norte-americano.

Quatro grandes helicópteros norte-americanos fizeram voos de reconhecimento no início da tarde desta quinta em diversos bairros do Rio. Duas aeronaves dos Marines (Fuzileiros Navais) e duas aeronaves semelhantes ao modelo Sikorsky voaram por cerca de 25 minutos, passando sobre a zona sul da capital fluminense - principalmente sobre Ipanema, Leblon, Copacabana e Lagoa. As aeronaves pousaram no campo de futebol do Flamengo, na Gávea, e decolaram cerca de 5 minutos depois, voando em direção a São Conrado e à zona oeste do Rio.

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