PT proíbe aliança com PSDB em Minas

Mas Diretório abre brecha para apoio informal dos tucanos à chapa

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

31 de maio de 2008 | 00h00

Sem rotular a censura como "veto", o Diretório Nacional do PT proibiu ontem a coligação com o PSDB do governador de Minas, Aécio Neves, na eleição à Prefeitura de Belo Horizonte, mas abriu brecha para uma aliança informal. Numa resolução de tom mais ameno do que o enquadramento imposto pela Executiva do PT, a cúpula do partido decidiu "recomendar" à seção municipal da capital mineira que volte a discutir a dobradinha, "afastando a possibilidade de coligação" com o PSDB e também com o PPS.Embora a decisão do diretório seja fruto de acordo entre o PT e o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, como antecipou o Estado, a novela promete continuar. Motivo: o candidato a prefeito é Márcio Lacerda, do PSB, partido que faz questão da parceria oficial com os tucanos. O PT tem só o vice da chapa, o deputado estadual Roberto Carvalho.O acordo foi costurado após intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cobrou uma saída para o impasse. "Não há vitoriosos nem derrotados nesse processo", bradou o presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), seguindo roteiro combinado para abrandar a crise. Berzoini, admitiu, porém, que o PT sai desgatado do episódio. "Seria hipocrisia avaliar que não há desgate."Apesar da resistência de petistas mineiros, socialistas e até parte do tucanato em retirar o PSDB da coligação em Belo Horizonte, Berzoini disse acreditar "na palavra" dos fiadores do acordo, entre os quais Pimentel. Mais enfático, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência, observou que a troca do verbo "vetar" por "recomendar" não foi aleatória. "Foi a forma de dar oportunidade para o Diretório Municipal compatibilizar a decisão local com a nacional", resumiu.Depois da queda-de-braço de quatro meses com a direção do PT, Pimentel não quis pôr mais gasolina na fogueira. "A decisão foi um avanço, no sentido do entendimento, para preservar a unidade do PT", comentou. Ele não participou do encontro.Em conversas reservadas, dirigentes afirmaram ao Estado que, se o PT de Belo Horizonte insistir na dobradinha oficial com os tucanos, haverá intervenção. A resolução aprovada, com apenas 2 abstenções, é categórica ao dizer que a Executiva tem poderes "legais e estatutários" para retomar as discussões sobre a aliança.O embate na capital mineira divide as correntes petistas. Para o deputado Raul Pont (RS), da ala esquerda, o PT não pode deixar Aécio subir no palanque de Lacerda, embora o candidato seja seu ex-secretário. "Não podemos nos contentar com um jogo de palavras para driblar essa união. Os partidos precisam ter projetos e não ser um amontoado de oportunistas, um balcão de negócios", atacou.Para o deputado Jilmar Tatto (SP), "é muita arrogância recusar apoio". Tatto lembrou que o PT tem 500 pedidos de coligação com partidos que não integram a base do governo Lula. "Vamos fazer o quê? Recusar apoio e arrebentar o PT no Brasil inteiro?", provocou. Escaldado com o imbróglio, o PT autorizou à noite algumas parcerias com o DEM e o PSDB. Em Canoas (RS), por exemplo, o candidato do PT, Jairo Jorge, terá o DEM na coligação. A Executiva aprovou aliança com o PPS em Montes Claros e rejeitou em Belo Horizonte. Além disso, há composições com o DEM. "Não sei onde está a coerência", reclamou o secretário de Relações Institucionais, Romênio Pereira.

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