PT prevê dificuldades no Congresso, com vitória ou derrota

Triunfo de Aécio levaria boa parte de base hojena situação; em caso deêxito, Dilma enfrentará pulverização de partidos

DAIENE CARDOSO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2014 | 03h02

O PT avalia que, independentemente do resultado das urnas no 2.º turno da disputa presidencial, na eleição do próximo dia 26, a legenda enfrentará dificuldades no Congresso Nacional a partir de 2015.

Se a presidente Dilma Rousseff não for reeleita, os petistas acreditam que boa parte de sua atual base aliada migrará para o governo do tucano Aécio Neves, o que lhe garantirá maioria parlamentar e reduzirá a oposição a, basicamente, PT, PC do B, PDT e PSOL, que, juntos, teriam somente 104 dos 513 deputados eleitos.

No caso de a petista se reeleger, uma convergência de fatores, segundo integrantes da legenda, aponta para um cenário de dificuldades políticas.

O primeiro motivo é a queda do "poder de fogo" das bancadas do PT. Mesmo ainda sendo a maior da Câmara dos Deputados, o partido elegeu 20% menos deputados entre 2010 e 2014 - fez 88 deputados na eleição anterior contra 70 agora. No Senado, será a segunda bancada, sem novos destaques.

Novo cenário. Outras razões apontadas por petistas são o aumento de partidos com assento nas duas Casas Legislativas, o que leva a mais partidos com quem negociar; a chegada de importantes quadros da oposição ao Legislativo, como o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), além dos senadores tucanos José Serra (SP) e Tasso Jereissati (CE); e os eventuais efeitos sobre o Congresso Nacional das delações premiadas que estão sendo feitas na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que podem levar a cassações de parlamentares.

"O novo cenário vai requerer mais diálogo ainda. Vai ter de criar um diálogo institucional muito forte", disse o vice-líder da bancada da Câmara, Paulo Teixeira (PT-SP).

Teixeira defende um "diálogo intenso" do governo com todos os partidos - a partir do fortalecimento da relação com as siglas que formaram a chapa de Dilma Rousseff - e a reaproximação com o PSB, mesmo com as divergências existentes por causa das eleições.

O primeiro-vice-presidente do Senado, Jorge Viana (AC), previu que o aumento da pulverização partidária vai "danificar" as relações dentro das Casas Legislativas. Nas eleições passadas, 22 partidos elegeram deputados federais e, a partir de 2015, serão 28.

"Isso fragiliza a relação partidária", afirmou Viana. "Não é sinônimo de democratização da democracia", completou o senador petista, ao defender a aprovação de uma reforma política que institua uma cláusula de barreira.

Essa cláusula determina que, para ter direito a funcionamento parlamentar no Congresso, um partido precisa ter um número mínimo de votos. "Será preciso negociar com mais bancadas e partidos", admitiu o atual líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE). / COLABOROU RICARDO BRITO

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