PT presta conta ao TSE e apresenta situação dramática

Na primeira prestação de contas oficial ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde a eclosão da crise do "mensalão", o Partido dos Trabalhadores apresentou um balanço patrimonial de 2005 em que, mesmo não reconhecendo R$ 55 milhões dos empréstimos cobrados pelo empresário Marcos Valério de Souza, expõe uma situação financeira dramática, com R$ 28,4 milhões em déficits acumulados.Os déficits petistas se traduzem principalmente em dívidas com fornecedores, que somam R$ 17,1 milhões, e em débitos com o sistema financeiro, no valor de R$ 14,1 milhões. O partido declara ainda possuir dívidas de origem trabalhistas e fiscais no montante de R$ 2 milhões, além de R$ 6,86 milhões de obrigações decorrentes de "arrendamento mercantil".De acordo com o advogado Márcio Luiz Silva, representante nacional do PT junto ao TSE, o partido está questionando na Justiça a dívida de R$ 55 milhões reclamada por Valério. O empresário mineiro alega ter contraído - a pedido do ex-tesoureiro Delúbio Soares e por meio de suas agências de publicidade - uma série de empréstimos junto ao Banco Rural e ao BMG, entre 2003 e 2004, para quitar as dívidas de campanha do PT.Como não são reconhecidos pelo Diretório Nacional, esses débitos não foram incluídos no balanço de 2005. Caso fossem considerados, o patrimônio líquido negativo do PT pularia para R$ 83,4 milhões - valor 4,5 vezes maior do que todo o ativo declarado pelo partido.A apresentação do balanço obedece a uma exigência da Lei Eleitoral. No documento, assinado pelo presidente da sigla, Ricardo Berzoini, e pelo tesoureiro, Paulo Ferreira, é informado que o PT possuía, ao final do ano passado, a cifra de R$ 888.953,84 disponíveis em caixa ou no banco. A maior parte do ativo é constituído de bens móveis, como equipamentos de informática, no valor de R$ 19,2 milhões em valores brutos, sem depreciação.O partido também apresenta uma pendência no passivo, no valor de R$ 407.658,92, referente ao repasse dos recursos do Fundo Partidário, recebido do governo federal, para os diretórios regionais, além de um crédito de R$ 346.409,88 em favor de ex-candidatos da sigla.O balanço registra ainda, de forma quase simbólica, uma sobra de recursos de campanha no valor de R$ 111,34. Por ironia, a versão do PT nas investigações da CPI do Mensalão é de que o dinheiro movimentado por Valério serviria para cobrir dívidas não contabilizadas de campanha.

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