PT prepara reabilitação de mais um 'aloprado'

Com apoio de Mercadante e Palocci, Baccarin pode se tornar superintendente do Incra-SP

Fernando Gallo, de O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2011 | 23h00

Depois de promover a volta do ex-vereador Hamilton Lacerda às atividades partidárias, há duas semanas, o PT agora tenta reabilitar outro "aloprado". Trata-se de José Giácomo Baccarin, tesoureiro da campanha de Aloizio Mercadante ao governo paulista em 2006.

 

Ele chegou a ser indiciado pela Polícia Federal por crime eleitoral por uma suposta tentativa de compra de um dossiê contra políticos tucanos naquele ano. O inquérito foi arquivado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Baccarin, que foi primeiro suplente de Mercadante no Senado, foi indicado pelo presidente do PT-SP, deputado estadual Edinho Silva, para ser o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de São Paulo.

 

Ele disputa o posto com Wellington Diniz, secretário de movimentos sociais do PT-SP, indicado por Paulo Teixeira, líder do partido na Câmara dos Deputados. Conta com a simpatia dos ministros Mercadante (Ciência e Tecnologia) e Antonio Palocci (Casa Civil), e é, por ora, o favorito na disputa.

 

A Superintendência do Incra de São Paulo comanda 133 cargos, dos quais 20 são de confiança. Em 2010, a autarquia gastou R$ 82 milhões com atividades desenvolvidas no Estado. Seu orçamento para 2011 ainda não foi definido.

 

A indicação de Baccarin, que é professor de agronomia e ex-prefeito de Jaboticabal (SP), seria uma forma de compensá-lo pelas acusações sofridas em 2006. Entre petistas existe uma avaliação de que o ex-tesoureiro "entrou de gaiato" na história do dossiê antitucano e foi, portanto, injustiçado.

 

Dossiê. Baccarin foi um dos sete indiciados pela Polícia Federal pela suposta tentativa da compra de documentos que comprometeriam a candidatura de José Serra (PSDB) ao governo de São Paulo.

 

O dossiê, que seria comprado por emissários petistas por R$ 1,7 milhão, traria informações que pretendiam relacionar Serra com o esquema de compra superfaturada de ambulâncias quando era ministro da Saúde durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

 

Segundo a Polícia Federal, o responsável pela venda do dossiê era Luiz Antonio Vedoin, dono da empresa Planam e um dos operadores da chamada máfia das sanguessugas.

 

Baccarin foi indiciado porque respondia pelas finanças da campanha de Mercadante.

 

O caso foi arquivado pelo STF, atendendo a pedido do então procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que disse não ver provas que incriminassem os indiciados.

 

O episódio, no entanto, prejudicou as campanhas de Mercadante e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tentava a reeleição naquele ano.

 

Lula classificou os envolvidos no caso como "aloprados" e os responsabilizou por levar a disputa presidencial ao segundo turno. Mercadante, que esperava disputar o segundo turno, foi derrotado no primeiro.

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