GABRIELA BILO/ ESTADAO.
GABRIELA BILO/ ESTADAO.

PT precisa enfrentar a maré conservadora, diz manifesto do partido

No documento, legenda reconhece que se afastou dos movimentos sociais

Ana Fernandes, José Roberto Castro e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2015 | 20h56

SÃO PAULO - O manifesto do PT divulgado nesta segunda-feira, 30, elaborado em encontro dos dirigentes estaduais com o presidente nacional da legenda, Rui Falcão, e com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, propõe que o partido saia da "defensiva" e retome a "iniciativa política" para enfrentar a "maré conservadora em marcha", que precisa ser mais "bem identificada" pelo partido. O documento também ressalta que o PT deve "assumir responsabilidades e corrigir rumos".

Um mea-culpa que o documento traz é dizer que o partido se afastou da democracia participativa, cuja ausência, explica o documento, é causa direta dos "desvios que abalaram a confiança no PT". O manifesto diz ainda que o partido precisa desmanchar a "teia burocrática que imobiliza as direções em todos os níveis e nos acomoda ao status quo".

Defende também que o partido deixe de agir politicamente apenas no período eleitoral e volte a representar cotidianamente a política "das massas". O manifesto reconhece que movimentos sociais, da juventude e dos trabalhadores, se afastaram do partido por causa desses erros - dizendo que se tornaram alheios, indiferentes e até hostis ao PT - e propõe correções.

O texto diz que essas mudanças, de "retomada partidária", têm de ser feitas pela via da política e não pela via administrativa. Os erros assumidos no texto, contudo, restringem-se ao espectro político e não tangem a política econômica. Segundo o manifesto, o quinto congresso do PT, que acontecerá em junho, na Bahia, servirá para "sacudir" o partido e promover um reencontro com suas origens nos anos 1980, a fim de que o partido "retome sua radicalidade política, seu caráter plural e não dogmático". O documento diz que o partido tem que se afastar do "pragmatismo pernicioso" e não dar trégua ao "cretinismo parlamentar". 

Movimentos sociais. O manifesto também sugere que o partido lidere uma frente ampla de partidos e movimentos sociais de esquerda que promova debates e mobilização de defesa do governo. A ideia vem sendo discutida no PT desde o segundo turno das eleições presidenciais, quando movimentos sociais e partidos de esquerda se uniram em torno da candidatura de Dilma Rousseff, que travava uma disputa acirrada com o tucano Aécio Neves.

No manifesto, o PT propõe ainda o aprofundamento da reforma agrária e informa que vai orientar a bancada para que se vote a taxação de grandes fortunas e a aprovação do projeto apresentado pelo senador Roberto Requião (PMDB) que oferece "direito de resposta ou retificação do ofendido por matéria divulgada, publicada ou transmitida por veículo de comunicação social". Outro ponto abordado pelo PT a reforma educacional, que transformará o País na "verdadeira pátria educadora", diz o texto, citando o slogan do segundo governo Dilma.

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