PT pode perder espaço no governo na briga contra o impeachment

O governo já avalia que, apesar do rompimento do PMDB, pode conseguir conquistar 190 votos para derrotar o impedimento

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

30 Março 2016 | 15h45

Brasília - O governo já avalia que, apesar do rompimento do PMDB, pode conseguir conquistar 190 votos para derrotar o impeachment na Câmara. No núcleo político do Palácio do Planalto o diagnóstico é que, embora a situação seja muito difícil, a caneta da presidente Dilma Rousseff, “com tinta”, começa a fazer efeito na atração dos aliados.

A intenção de Dilma é anunciar a reforma ministerial até sexta-feira. Na guerra para se manter no poder, o PT também pode perder espaço no primeiro escalão para acomodar outros partidos. Seis ministros do PMDB do vice-presidente Michel Temer tentam ficar na equipe, licenciando-se da legenda, entre eles o da Saúde, que é o maior orçamento da Esplanada.

No cenário atual, o PP, hoje no comando de Integração Nacional, e o PR, na direção de Transportes, tendem a ser os novos partidos fortes da coalizão pró-Dilma, depois do PT.

Na contabilidade do Planalto, Dilma tem, hoje, entre 130 e 150 votos para barrar o impeachment, número inferior aos 171 necessários. Mesmo computando mais traições, porém, o governo acredita que, fechando acordo com o PP e o PR, atraindo dissidentes do PMDB e diminuindo resistências no PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab, consegue derrubar o processo do impeachment na Câmara.

Além do Ministério da Saúde estão na mesa de negociações outras pastas importantes, como Minas e Energia, sem contar o comando de empresas estatais e bancos públicos, como a presidência da Caixa Econômica Federal (CEF), que hoje é dirigida pelo PT.

Impedido de despachar no Palácio do Planalto após ter tido a nomeação para ministro da Casa Civil suspensa pela Justiça, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz uma reunião atrás da outra a menos de dez minutos dali, num hotel ao lado do Alvorada. Lula tem o mapa de cargos e nomeações nas mãos e está conversando com deputados, senadores e dirigentes de todos os partidos aliados.O ex-presidente participará amanhã, em Brasília, da “Jornada Nacional pela Democracia”, que espera reunir 70 mil pessoas diante do Congresso Nacional. Ele também estará nas manifestações em Fortaleza, no dia 2, e em Salvador, no dia 3.

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