PT pedirá impeachment do governador do ES

O presidente da CPI da Propina no Espírito Santo, Gilson Lopes Filho (PFL-ES), deve divulgar hoje o resultado da análise feita pela Polícia Federal sobre a veracidade das fitas que levaram à abertura da comissão. As fitas, gravadas pelo lobista Nilton Antônio Monteiro, mostram casos de corrupção e tráfico de influência praticados por integrantes do governo estadual.Entre os envolvidos, estão a mulher, o cunhado e o chefe de gabinete do governador José Ignacio Ferreira (PSDB). O PT confirmou que vai pedir o impeachment do governador.Membros da liderança se reúnem amanhã com outros partidos de oposição para tentar formar uma aliança contra Ferreira e obter mais apoio popular para o pedido de impeachment. "Se as fitas forem verdadeiras, não teremos mais obstáculos para pedir a saída do governador", afirma Iriny Lopes, presidente do PT estadual. Além disso, o PT também aguarda decisão do Ministério Público Federal que instalou oito inquéritos para investigar corrupção no governo estadual. Em duas dessas investigações, o governador é citado como envolvido.A investigação na Assembléia Legislativa começou em abril, quando o prefeito de Cachoeiro do Itapemirim, Teodorico Ferraço (PTB), apresentou um dossiê de oito CDs (que reúnem dezenas de fitas) com gravações feitas por Nilton Antonio Monteiro. Essas fitas revelariam um esquema de cobrança de "ágios" de até 30% para transferência de créditos do Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) a empresas privadas. Essas propinas somadas chegaram, apenas em alguns dos casos investigados, a R$ 800 mil, segundo a CPI.A comissão também investiga outras denúncias: a de um empréstimo irregular que o governo teria feito no Banestes, o banco Estadual, para pagar compromissos de campanha (que também é apurada pelo Banco Central) e o mau uso de dinheiro público na construção da Fábrica de Sopas (um projeto da Secretaria da Ação Social, que era liderada pela primeira-dama, Maria Helena Ruy Ferreira, até segunda-feira passada).A CPI da Propina deve começar a elaborar o relatório final na semana que vem. Até agora a comissão calcula que já existem evidências para indiciar cerca de 10 pessoas. Por meio de sua assessoria, o governador nega qualquer envolvimento com o suposto esquema de cobrança de "ágios" e afirma ter determinado a instauração de inquérito interno para apurar as denúncias.

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