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PT paulista visa governo Dilma, mas esbarra em caciques e aliados

Um dos entraves que pode barrar os postulantes é a farta presença de ministeriáveis paulistas na campanha e na transição do governo, como Palocci, Cardozo e Padilha

Gustavo Porto, da Agência Estado

05 de novembro de 2010 | 17h54

RIBEIRÃO PRETO - Lideranças do PT paulista estão na disputa por cargos no primeiro escalão do governo da presidente eleita Dilma Rousseff. Como argumentos, apontam o fato de São Paulo ser o maior colégio eleitoral do País, com 22% dos 130,8 milhões de votos, e o Estado ser berço político do partido. As negociações começaram logo após a vitória de Dilma, mas dois entraves podem barrar os postulantes: a farta presença de ministeriáveis paulistas na campanha e na transição do governo Dilma, como Antonio Palocci, José Eduardo Cardozo e Alexandre Padilha, que preencheriam a "cota" do Estado; e a necessidade de aliados como PMDB, PSB, PDT e PCdoB serem atendidos.

 

Um dos mais assediados neste processo, o presidente estadual da legenda, Edinho Silva, admite a pressão e prega cautela. "É natural que o PT de São Paulo se mobilize para discutir a composição do governo. Isso faz parte do jogo democrático e é legítimo, mas vamos esperar a poeira baixar", advertiu.

 

Deputado federal eleito, Vanderlei Siraque (PT) adota o discurso de que "as escolhas dos nomes de ministros cabem à presidente", mas admite as articulações internas no partido. "O principal colégio eleitoral do País precisa de uma representatividade do tamanho dele e o que for cota do PT paulista nós temos de trabalhar". Entre os nomes, Siraque cita o do senador Aloizio Mercadante, candidato derrotado ao governo paulista, o do ex-prefeito de Diadema, tesoureiro da campanha de Dilma e deputado federal eleito, José de Filippi Júnior e do ex-prefeito de São Carlos, também eleito deputado federal, Newton Lima.

 

Dos três, Lima é o que tem mais chances de ser escolhido por Dilma. Ex-reitor da Unidade Federal de São Carlos (UFSCar), o deputado quase foi ministro da Educação em 2003, primeiro ano do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Curiosamente, não teria sido escolhido por pressão de petistas paulistas que temiam a divisão de poder no interior do Estado. Coordenador setorial de Ciência Tecnologia e Inovação da campanha de Dilma, Lima é cotado para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia. Hoje o cargo é do PSB, mas Lima admite o interesse, pelo menos do PT, por esse ministério.

 

"O PT tem uma vontade grande, projetos políticos concretos e bem formulados para responder por essa pasta e a Dilma sabe disso", resume o deputado eleito. Lima pode ainda ser indicado para o Ministério da Educação, mas defende a permanência de Fernando Haddad. "O Haddad, em um curto período de tempo, foi o maior ministro da Educação da história republicana e acho que a Dilma estará bem servida se quiser seguir com ele". Já Mercadante e Fillipi, apesar de serem bem votados, não devem ser contemplados com cargos no primeiro escalão do governo Dilma.

 

Nessa costura pela montagem do novo ministério, os aliados também pretendem manter a sua fatia. Eleito deputado federal com 560 mil votos, Gabriel Chalita (PSB) é um dos nomes cotados para a pasta da Educação. Ele ajudou Dilma na polêmica aproximação da então candidata com a Igreja Católica no segundo turno e conquistou a presidente. Pode ser o substituto de Haddad, o qual tem apoio do presidente Lula.

 

Outro aliado paulista que pode surpreender é o prefeito de Campinas (SP), Hélio de Oliveira Santos, o Dr. Hélio (PDT). Médico e especialista no combate aos maus tratos às crianças, o prefeito é cotado para assumir o Ministério da Saúde. Hélio foi um dos únicos prefeitos a participar da festa restrita, entre domingo e segunda-feira, que comemorou a eleição de Dilma em Brasília, com a presença do presidente Lula.

 

Além de premiar o aliado, que foi inclusive cotado para ser vice na chapa de Mercadante nessas eleições, o PT ganharia ainda o governo de Campinas, terceira maior cidade paulista, pelos próximos dois anos. O vice-prefeito Demétrio Vilagra é do partido e assumiria o posto, caso Hélio renunciasse para ser ministro.

 

"Campinas é uma cidade estratégica para o governo, pois será um dos polos do trem-bala brasileiro e ainda tem o aeroporto de Viracopos, previsto para ser um dos maiores do País", disse um representante do PT.

 

Na tentativa de domar as disputas e conviver com as pressões internas, Edinho Silva defende amplo apoio à presidente eleita, independentemente dos nomes que ela referendar para o novo ministério. "A posição do PT paulista é apoiar, de forma irrestrita, os nomes que a Dilma escolher para o governo."

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