PT nega moratória e acusa mercado de querer fuga de capitais

O presidente licenciado do PT, deputado José Dirceu (SP), acusou hoje a direita e o capital de desejarem a fuga de capitais no caso de a oposição vencer as eleições presidenciais de 2002. Ele admitiu que o País poderá ser levado a medidas extremas, como o controle do câmbio e do fluxo de capitais externos, para evitar a fuga massiva de investimentos que poderia ocorrer durante a transição para uma administração petista. Dirceu descartou ainda a possível decretação de moratórias.Segundo o parlamentar, porém, o PT fará tudo para evitar uma situação de pânico na economia. ?Quando você diz que não vai pagar a dívida interna ou que não vai pagar a dívida externa dá o sinal para aquilo, inclusive, que acho que muitos setores da direita brasileira e do capital internacional querem: a fuga de capitais em massa do Brasil, que inviabilize a economia do País?, disse.?Agora, essa transição pode levar a uma situação em que você é obrigado a controlar fluxo de capitais, controlar o câmbio? Pode, evidente que pode. A Argentina está fazendo. Mas quando um país chega a isso, é que a situação já é de recessão, de desemprego, de crise. Vamos fazer tudo para evitar e fazer uma transição.?Cauteloso, o presidente licenciado do PT defendeu a renegociação da dívida externa e o alongamento do perfil da dívida interna, mas procurou marcar diferenças. Ele ressaltou que a disposição do PT de evitar pânico na economia, no caso de vencer as eleições presidenciais de 2002, não significa que o partido concorde com manter ?os pressupostos da estabilidade que o governo atual mantém?.?Nem essa política de juro alto, nem essa política de metas de inflação, nem essa política em relação aos capitais externos, nem com o FMI?, disse Dirceu, em entrevista após palestra na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro.Para Dirceu, o principal problema que o País tem hoje é o ?constrangimento externo e a incapacidade do governo de mudar essa política?. ?A dívida interna é em real, está na mão de brasileiros, de milhões de brasileiros e das instituições financeiras?, disse. ?Se o governo reduzir os juros e alongar essa dívida, pode dar uma solução para essa questão.?O parlamentar lembrou que, com a suspensão do pagamento da dívida interna, deixariam de ser pagas remunerações das cadernetas de poupança, dos fundos de pensão, do FGTS, de depósitos a prazo, situação que condenou. ?Paralisa a economia, é o que o (Fernando) Collor (presidente de 1990 a 1992, derrubado por impeachment) fez, isso não leva o País a nada?, disse. ?Agora, resolvendo o problema externo, você resolve, em grande parte, o problema interno.?

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