Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

PT nega doação ilegal e defende tesoureiro

Dirigentes da legenda tentam desacreditar delação de Barusco e minimizar mal-estar provocado pela ida coercitiva de João Vaccari à PF

Ricardo Galhardo, enviado especial e Marcelo Portela, O Estado de S. Paulo

05 Fevereiro 2015 | 15h05

Atualizado às 23h15

Belo Horizonte -O depoimento do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, à Polícia Federal, e o relato do ex-gerente da Petrobrás Pedro Barusco de que o partido teria recebido até US$ 200 milhões desviados da estatal em uma década mobilizaram a cúpula do partido e fizeram a sigla negar ter recebido doações ilegais ou fruto de propina. A nona fase da Operação Lava Jato foi deflagrada um dia antes da festa de 35 anos do partido, marcada para esta sexta-feira, 6, em Belo Horizonte.

Na capital mineira desde a tarde desta quinta, o presidente do partido, Rui Falcão, tentou minimizar o mal-estar provocado pela condução coercitiva de Vaccari à sede da PF e pelas declarações de Barusco na delação premiada. “Não existe nenhuma intranquilidade. Tudo será desmentido”, disse Falcão. Indagado sobre quem faria o desmentido, respondeu: “Pelos fatos”.

À noite, Falcão defendeu o tesoureiro, a quem definiu como “companheiro que nunca colocou dinheiro no bolso”, e questionou a data da ação da PF.

“Há uma tentativa de criminalização do PT através da figura do Vaccari”, afirmou Falcão. “Não há nenhuma prova, nenhuma circunstância e agora, de forma muito coincidente, isso aparece na véspera do aniversário do PT. Alguém recebeu informação da Polícia Federal de quais são os nomes que tiveram prisão preventiva, temporária, condução coercitiva?”

‘Sem crédito’. O partido também procurou desacreditar Barusco. Na nota divulgada à tarde, o PT afirmou que “as novas declarações de um ex-gerente da Petrobrás seguem a mesma linha de outras feitas em processos de ‘delação premiada’”. O partido disse que tais denúncias “têm como principal característica a tentativa de envolver o partido em acusações” feitas “sem provas ou sequer indícios de irregularidades, portanto, não merecem crédito”.

Parte do PT, porém, quer explicações de Vaccari. “Pessoas do PT que se envolverem em qualquer desvio de conduta devem ser responsabilizadas. Isso serve para o cidadão Vaccari como para qualquer outro filiado”, disse Odair Cunha, presidente licenciado do PT mineiro. “Se houver algum indício de responsabilidade ,os envolvidos devem ser afastados”, disse o ex-governador Tarso Genro, que evitou fazer juízo de valor sobre as atividades do tesoureiro.

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