PT não tem pressa para prévias, diz Lula

O pré-candidato à Presidência e presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente descartou a realização de uma prévia de seu partido, no próximo dia 16, para definir uma candidatura para o Palácio do Planalto. "Temos até março para trabalhar e, por que nós, do PT, temos que ser apressados se estamos numa posição confortável?", indagou Lula, que acha pouco provável um acordo entre o PT e o governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), que romperam a coligação no início deste ano.Lula, que retornou de um encontro em Caracas com o presidente venezuelano, Hugo Chavez, afirmou que não conhecia ainda a pauta do congresso nacional do PT, que será realizado dia 16 em Pernambuco. Mas admitiu que dificilmente colocará seu nome numa possível prévia que poderá acontecer no dia. A justificativa é uma definição, até o próximo ano, de um acordo com os demais partidos de esquerda. "Continuo sonhando em ter candidato único das oposições", afirmou Lula, explicando que o quadro sucessório ainda está indefinido. "Quem era candidato há três meses pode não ser candidato mais. É muito cedo para definir uma candidatura", disse o presidente de honra do PT, depois de um encontro rápido com a cúpula da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), onde entregou dois documentos sobre os programas do partido para combater a fome no País.SaboneteO presidente de honra do PT evitou falar dos demais pré-candidatos à Presidência, com excessão à governadora do Maranhão, Roseana Sarney, que poderá disputar a vaga pelo seu partido, o PFL. Lula a comparou a um produto, mas ressaltou que, para o PT, ela não é problema, ainda. "Ela é problema do Serra", afirmou Lula, referindo-se ao fato de Roseana poder disputar a candidatura do governo com o atual ministro da Saúde."Pegaram uma mulher que é política há muito tempo, de uma família que faz política há décadas e a venderam para a opinição pública como se fosse uma coisa que apareceu ontem. Como se fosse Madre Teresa de Calcutá, como a avózinha, a mãezinha, a dona de casa ", ironizou o pré-candidato do PT. "Mas ela é política e na campanha política se discute programas. Nãos e dá para fazer uma campanha trabalhando um produto, como se fosse um sabonete, pois somos seres humanos."No encontro com os dirigentes da CNBB, onde voltou a defender uma maior discussão sobre a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o petista afirmou que não está preocupado com os índices das pesquisas eleitorais, mas ressaltou que não se poderia comparar Roseana Sarney ao ex-presidente Fernando Collor de Mello. "Ela tem uma maior história política que Collor. Não dá nem para comparar", afirmou Lula.

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