'PT não pode se queixar', afirma futuro articulador

Novo titular da pasta responsável pela relação com o Congresso diz que Dilma não se preocupa com correntes do partido

ERICH DECAT / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

31 de dezembro de 2014 | 02h02

Escolhido pela presidente Dilma Rousseff para comandar as negociações com o novo Congresso em um ano cuja expectativa é de turbulências políticas e econômicas, o futuro ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas (PT-RS), avalia, em entrevista exclusiva ao Estado, que ao contrário de setores do PT, o partido se saiu bem no novo desenho ministerial e rejeita a necessidade de uma nova CPI da Petrobrás. A seguir, os principais trechos da entrevista:

A corrente majoritária do PT, Construindo um Novo Brasil, reclama que perdeu espaço no novo ministério. Isso procede?

Não acredito nisso. Não acho que a presidente leve em consideração correntes internas do PT, assim como o Lula não levava. Eles não estão lá na presidência para estimular divergências partidárias. Estão lá para governar. E governar não só para o PT, mas para o conjunto da população brasileira. Que haja essa especulação, eu até vejo como compreensível, mas não é isso que orienta a Dilma ou orientou o Lula. Ela tentou formar um ministério levando em consideração a sua base, quem a apoiou e as tarefas que tem pela frente. Neste momento, ela tomou essa posição e o PT não pode se queixar.

Ela escolheu o PT "dilmista" em detrimento de um "lulista"?

Não existe conflito entre a Dilma e o Lula. Há muita lealdade entre os dois. Obviamente que pode haver opiniões distintas em determinados momentos, o que é da vida. Mas nós nos sentimos extremamente representados tanto por um quanto por outro. Todos nós nos sentimos tanto dilmista quanto lulista.

A disputa pela presidência da Câmara entre PT e PMDB pode deixar sequelas?

Não conversei com a presidenta sobre esse assunto, mas acho que é legítimo por parte do governo tentar trabalhar para que tenhamos uma presidência da Casa que não seja hostil ao governo e que trabalhe de forma harmoniosa com o Poder Executivo.

Acredita que vai enfrentar uma oposição mais acirrada em decorrência do resultado equilibrado das urnas?

Não considero que a oposição tenha saído fortalecida. A oposição perdeu. O que tem é uma fração minoritária da oposição querendo estabelecer um processo de radicalização e um processo de questionamento, inclusive, do resultado eleitoral. Acho que essa fração da oposição que está com esse comportamento vai se isolar socialmente. A oposição que fará uma oposição dura, porém, responsável na minha opinião é a que vai se fortalecer.

Como o sr. pretende tratar o pedido de reinstalação da CPI da Petrobrás?

Oposição sempre vai querer abrir uma CPI. Mas não é por conta de uma CPI que a gente está desbaratando crimes contra a administração pública. Quem está fazendo isso são fundamentalmente as instituições que têm como missão combater a corrupção. Se há fato determinado, objeto claro, para abrir uma CPI, não tem problema. O que não pode é banalizar a CPI. Se for pegar a operação Lava Jato, o que a CPI trouxe de novo no processo de investigação? Muito pouco, talvez nada. Até porque tudo que a CPI faz encaminha em seguida para o Ministério Público, que por sua vez analisará se aceita algum indiciamento, ou não.

O desenrolar da Operação Lava Jato poderá deixar o processo Legislativo conturbado com a previsão de indiciamento de parlamentares?

O Executivo não tem prerrogativa para definir o que o Congresso vai fazer. Mas acredito que surgindo nomes de parlamentares isso não cause nenhuma instabilidade política. Nossas instituições são sólidas. Não somos uma republiqueta.

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