'PT não pode colocar na agenda o enfrentamento ao STF', disse Déda

Na última entrevista ao Estado, em fevereiro deste ano, o governador de Sergipe aparentava otimismo apesar dos efeitos da quimioterapia

Rafael Moraes Moura , O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2013 | 22h24

BRASÍLIA - Em entrevista ao Estado publicada em fevereiro deste ano, o governador de Sergipe, Marcelo Déda, disse que o "PT não pode colocar na agenda o enfrentamento" ao Supremo Tribunal Federal. Sob tratamento para curar um câncer gastrointestinal, Déda recebeu a reportagem no seu gabinete, um dia antes de evento com a presidente Dilma Rousseff para a inauguração do Parque Eólico Barra dos Coqueiros e de entrega de máquinas e retroescavadeiras para prefeitos da região.

Na ocasião, apesar dos efeitos da quimoterapia, aparentava estar bem e demonstrava otimismo com a saúde.

"O julgamento (do mensalão) foi feito, há recursos a serem julgados, a Justiça se pronunciou sobre a causa. Os réus têm direito de reunir seus amigos e captar recursos para cumprir a decisão do STF. Agora, o PT não pode colocar na agenda o enfrentamento do Supremo, não é tarefa do partido. O Supremo criou um padrão, o País espera que não seja exceção. O julgamento do mensalão do PSDB será o grande momento para isso", afirmou Déda.

Uma das principais lideranças do PT no Nordeste, Déda não via o presidente do PSB, governador Eduardo Campos (PE), como ameaça ao projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. "A ascensão de Eduardo Campos fortalece um campo político cuja maior responsabilidade é dar sustentação ao projeto que Dilma e Lula lideraram", afirmou. Para o governador, "Recife fica muito longe de Tóquio" e "Eduardo Campos não faria haraquiri (o suicídio ritual dos japoneses)" para formar chapa com o senador Aécio Neves (PSDB).

Para o governador de Sergipe, a ascensão de Campos fortalecia um campo político cuja maior responsabilidade é dar sustentação ao projeto que Dilma e Lula lideraram. "Não consigo ver Eduardo Campos liderando um rompimento com esse projeto que ele ajudou a construir e do qual é um dos principais líderes. A palavra de ordem, quando dentro de uma coligação um aliado se fortalece, não é repressão, é sedução", afirmou. Em setembro, Campos acabaria anunciando a saída do PSB do governo Dilma Rousseff .

Mesmo considerando haver uma "larga avenida a percorrer", Déda acreditava que "qualquer candidatura que se opuser à presidenta Dilma terá dificuldades eleitorais".

"Tenho para mim que, em 2014, mais do que legados individuais, o Brasil vai julgar uma era. Porque as pessoas têm perfeita compreensão de que, não obstante as inovações que Dilma traga, as diferenças de estilo e de perfil, ambos (Lula e Dilma) integram o mesmo projeto", afirmou ao Estado na época.

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