PT não mudou lógica da relação política, admite Carvalho

Segundo ministro, na relação política PT se adaptou ao que "estava dado aqui"

RAFAEL MORAES MOURA, Estadão Conteúdo

05 de agosto de 2014 | 14h01

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, rebateu nesta terça-feira as críticas feitas pelo senador Pedro Simon (PMDB-RS) de que "o governo do PT foi igual aos outros", mas reconheceu que o Partido dos Trabalhadores não conseguiu implantar mudanças, do ponto de vista da "relação política".

"Não concordo que foi igual, porque, se tenho orgulho na minha vida, é que nós, com todos nossos erros e limitações, conseguimos fazer mudança na autoestima do povo e permitir que mais de 40 milhões de brasileiros voltassem a ter o mínimo de dignidade. Eu acho que isso nos salva, digamos assim", afirmou Carvalho, que participa hoje de audiência pública no Senado Federal para tratar do controverso decreto que institui a política nacional de participação social.

No Congresso Nacional, parlamentares da oposição se mobilizam para derrubar o decreto da presidente Dilma Rousseff, publicado em maio passado. Para evitar a derrota política do governo, Carvalho participará de outra audiência pública nesta terça, marcada para as 14h30.

"É verdade que, do ponto de vista da lógica da relação política, nós (o governo do PT) não mudamos. E infelizmente com tristeza que vejo que nos adaptamos ao que estava dado aqui, e aí não há outro jeito, a bendita da reforma política, a meu juízo, é a única forma que nós temos para alterar essa relação, porque a fisiologia, ao fim e ao cabo, decorre de um sistema eleitoral onde o poder econômico tem poder", comentou Carvalho. "Me dá desespero pensar que, cada vez mais, o critério de eleição de alguém é a sua capacidade de manusear recursos, de angariar recursos. Uma vez ganhado esse recurso, cria dependência", completou. O ministro defendeu "libertar" parlamentares e candidatos "dessa dependência, acabando com a perversidade do financiamento empresarial de campanha".

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