PT não apóia Inocêncio

O PT descarta a possibilidade de apoiar o pefelista Inocêncio Oliveira se houver segundo turno na eleição desta quarta-feira para a presidência da Câmara. Ao contrário dos indícios de união pragmática entre o PT e o PFL, o namoro durou pouco e foi desfeito totalmente nesta terça-feira. No cenário de um eventual segundo round da disputa, a decisão não será fácil para a bancada petista, que ficará dividida entre dar aval ao candidato do PSDB, Aécio Neves, ou abster-se da votação. É mais provável, porém, que a escolha recaia sobre Aécio. "Acho muito difícil que a bancada vote nulo ou em branco", afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA). O partido de Luiz Inácio Lula da Silva apostou na candidatura de Aloízio Mercadante (SP) para marcar posição e forçar o segundo turno, dando uma sobrevida a Inocêncio. Mas até os defensores do pefelista, na seara da oposição, acham que o próprio PFL "rifou" seu candidato ao lançar o nome de Arlindo Porto (PTB-MG) para presidir o Senado. "A equação Arlindo Porto livra a cara do PFL, mas tritura o Inocêncio na Câmara", resumiu o deputado José Genoíno (PT-SP). O bloco formado por PT, PDT e PC do B apóia a candidatura de Jefferson Peres (PDT-AM) no Senado contra o peemedebista Jader Barbalho e queria que o PFL trilhasse o mesmo caminho. Neste caso, ficaria com Inocêncio sem pestanejar. Só que os adeptos do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), embora tenham ensaiado uma briga com o governo federal, não demonstram vocação para ficar na ala oposicionista e, por isso, construíram a terceira via com Porto. "O PFL está sendo incoerente ao não apoiar Peres, pois foi o partido que fez as mais sérias acusações contra Jader", argumentou Mercadante. A única chance de endosso do PT a Inocêncio seria a garantia de voto da bancada do PFL em Peres, hipótese que, se antes já era remota, foi sepultada nesta terça-feira com o lançamento de Porto. Para o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ), o PFL tornou-se "cúmplice de suas próprias denúncias contra Jader". Mercadante, candidato apelidado de "sem-faixa" por destoar dos adversários e não ter nenhuma propaganda colada nos corredores, disse que sua curta campanha cumpriu os objetivos. "A melhor coisa que o PT fez foi lançar candidatura própria e não se envolver nesse lamaçal", avaliou Mercadante, que espera obter, no mínimo, os 82 votos do PT, PDT e PC do B. As três bancadas e também o PSB apresentaram nesta terça-feira requerimento à Corregedoria da Câmara para que investigue as suspeitas de que quatro deputados da Bahia - José Lourenço, Leur Lomanto, Roland Lavigne e Jonival Lucas - trocaram o PFL pelo PMDB, em dezembro do ano passado, por dinheiro e outros benefícios. As suspeitas vieram à tona com a divulgação, pela revista Veja, de conversas grampeadas. Além disso, a oposição promete insistir na proposta de criação de uma CPI mista no Congresso para apurar as denúncias.

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