PT na Câmara tenta mostrar união para não perder cargo

Temendo perder o cargo de ministro das Relações Institucionais com a provável saída de Luiz Sérgio, a bancada do PT na Câmara tentou dar uma amostra de união hoje. A intenção é mostrar para a presidente Dilma Rousseff que a escolha de um nome de fora, como o de Ideli Salvatti, atualmente no Ministério da Pesca, poderia criar problemas na Câmara.

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

09 de junho de 2011 | 20h00

O presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), e o líder do partido, Paulo Teixeira (SP), estiveram reunidos por três horas e saíram juntos para negar à imprensa que existam "divergências" entre os grupos dentro do PT da Câmara. "Nossa intenção é acabar com essa conversa e essa impressão de que há disputa do deputado A com o deputado B no PT", disse o presidente da Câmara.

O mesmo Marco Maia reconheceu depois, porém, que disputas internas fazem parte do "DNA do PT", mas afirmou que os grupos estão trabalhando juntos na Casa. Teixeira e Vaccarezza deram as mesmas declarações em público.

Desde a saída de Antonio Palocci da Casa Civil, os grupos ligados a Vaccarezza e Maia, que duelaram pela presidência da Câmara, discutem a ocupação de espaço na articulação política do governo Dilma Rousseff. Luiz Sérgio é do grupo de Vaccarezza e os deputados "adversários" dentro do PT reclamam do fato de o mesmo grupo ocupar o Ministério e a liderança do governo. As duas alas tentam chegar a um acordo entre nomes para as duas funções para oferecer à presidente.

A tentativa de mostrar união visa a inibir a ideia de se procurar um nome de fora do PT da Câmara para ocupar o cargo. O nome de Ideli Salvatti foi veiculado durante o dia como uma possível solução para substituir Luiz Sérgio. Apesar de fazerem elogios em público a Ideli, os deputados petistas deixaram claro a proximidade do atual ocupante da cadeira com o PT da Câmara.

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