PT muda estatuto e permite a diretórios impedir prévias

O PT decidiu hoje, em congresso realizado em Brasília, permitir aos diretórios nacional, estaduais e municipais impedir a realização de prévias para a definição de candidatos a cargos majoritários. Atualmente, sempre que há dois candidatos, o PT era obrigado a realizar a consulta aos filiados. O partido também decidiu acabar com prévias para candidatos a vice-prefeito e vice-governador.

EDUARDO BRESCIANI, Agência Estado

03 de setembro de 2011 | 20h37

A decisão foi mais tímida do que o desejo inicial de parcela do partido de acabar com a utilização do instrumento ou restringi-lo ainda mais. Pelo texto aprovado, se dois terços do diretório decidirem pela não realização de prévias, a definição do candidato ao cargo majoritário será feita por encontro de delegados. Essa nova regra vale para os cargos de presidente, governador, senador e prefeito.

O secretário de comunicação do PT, André Vargas (PR), afirma que a intenção é evitar que o desejo pessoal de um filiado atrapalhe o projeto do partido. "O objetivo nosso é impedir que um filiado possa parar o partido. A prévia passa a ser direito da instância partidária e não mais do filiado."

Outra alteração feita no estatuto do partido determina uma paridade entre homens e mulheres na composição das instâncias do PT e na definição de chapas para a disputa de eleições proporcionais. Haverá ainda uma cota de 20% para jovens e 20% para negros. O partido também aumentou de três para quatro anos o mandato dos presidentes da legenda em todas as instâncias permitindo a realização de recall - nova avaliação pelos filiados, por meio de votação - na metade dos mandatos.

O PT mudou ainda a forma de cobrança do dízimo de seus filiados que não exercem cargo eletivo ou comissionado. A cobrança deixa de ser anual e passa a ser semestral. Os diretórios poderão ainda realizar eventos para pagar coletivamente a contribuição de seus filiados.

O partido fez também mudanças na relação com os novos filiados. Os diretórios municipais terão agora de realizar anualmente quatro encontros para apresentar o partido aos novos filiados. Quem entrar no PT terá de participar de, pelo menos, um destes encontros. O objetivo é evitar filiações em massa apenas com o objetivo de votar nas eleições internas do PT.

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