PT mineiro confirma fim da aliança com PSB

Direção do partido cria comissão para definir nome para disputar Prefeitura de BH contra o socialista Marcio Lacerda

Marcelo Portela, de O Estado de S.Paulo

03 de julho de 2012 | 03h09

BELO HORIZONTE - A direção do PT em Minas Gerais confirmou nessa segunda-feira, 2, o fim da aliança com o PSB para a disputa pela reeleição do prefeito de Belo Horizonte, o socialista Márcio Lacerda. A executiva estadual do partido também criou uma comissão para negociar com o vice-prefeito, Roberto Carvalho, o ex-ministro Patrus Ananias e a direção nacional da legenda a escolha de um nome para disputar contra o socialista, que tem o apoio do PSDB. Lacerda afirmou que tentará "até o último minuto" recompor a aliança, mas já anunciou como vice o secretário municipal de Governo Josué Valadão (PP) no lugar do deputado petista Miguel Corrêa Júnior.

O grupo é composto por Corrêa Júnior e pelos deputados estaduais Rogério Correia e André Quintão, que tinham a missão de "construir a unidade" que será apresentada à direção nacional. Oficialmente, os dirigentes petistas em Minas afirmam que não pretendem apresentar nomes, mas nos bastidores integrantes da direção assumem que o objetivo é tornar viável o nome de Patrus como candidato, sem desmoralizar Carvalho, que desde o início do processo foi defensor da candidatura própria.

Em entrevista ao Estado, Patrus afirmou que em nenhum momento pediu para ser candidato e que acredita que ainda há possibilidade de repactuação com o PSB. "Havia uma relação de confiança e foi feito um acordo, que não foi cumprido. Mas acredito que ainda é possível a repactuação." Apesar disso, disse que acatará a decisão do partido e que, caso seja por sua candidatura, ele espera apoio "político e material" da direção nacional petista, além da presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff na campanha.

A direção estadual do PT homologou o lançamento de candidato própria, decidida na convenção do partido, no sábado, após a legenda ser comunicada da decisão do PSB de não fazer coligação proporcional na capital, considerada pelos petistas como "traição" de Lacerda. E informou que ainda ontem o prefeito receberia um comunicado petista entregando os cerca de 900 cargos em todos os escalões que o partido tem na administração municipal.

Para o prefeito, porém, o PT rachou por "uma questão pequena, que é essa questão dos vereadores". Ele afirmou que tentaria novas negociações com a direção petista, mas confirmou que o PSB não vai rever sua decisão.

A direção petista em Minas avalia que a indicação de Patrus como candidato é uma forma de unificar o partido, já que o ex-ministro é ligado à ala oposta à do ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento), um dos principais articuladores da campanha de Lacerda em 2008 e da tentativa de reedição da aliança. "No que me cabe, em nome do ministro Patrus, abro mão de candidatura. E, se for necessário ser vice para expressar unidade, o farei com orgulho", declarou Miguel Corrêa, que é próximo a Pimentel.

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