PT levará relatório à CPI como contraponto ao de Serraglio

O PT já prepara um relatório em separado como contraponto ao que foi apresentado ontem na CPI dos Correios pelo relator, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR). No seu relatório, o PT não reconhecerá a existência de mensalão e deverá rever os indiciamentos propostos por Serraglio. Na linguagem parlamentar, o PT irá apresentar um substitutivo ao parecer de Serraglio, com outras conclusões e alterando pontos que não aceitam no parecer do peemedebista.A decisão do PT foi anunciada pelo líder do partido na Câmara, deputado Henrique Fontana (RS), após reunião com o presidente do partido, deputado Ricardo Berzoini (SP), parte da coordenação da bancada e petistas que integram a CPI. Segundo conclusão do PT, não houve mensalão. "No nosso relatório, tem caixa 2 com repasse ilegal pelo PSDB de Minas Gerais e de Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) no nosso governo. No nosso ponto de vista, é o correto", afirmou Fontana.Outro ponto em que o relatório do PT será diferente é quanto ao indiciamento dos envolvidos no escândalo. "Vamos concluir a partir de um critério universal de indiciamento que valha para aliados e para oposição", disse o líder petista. "Não podemos tratar adversários políticos de forma diferente de aliados políticos", continuou Fontana.O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) afirmou que o substitutivo petista vai "restabelecer uma linha temporal" no relatório e que os problemas que ocorreram no governo anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foram diluídos no trabalho de Serraglio. "O Valerioduto não começou agora; o mecanismo dos empréstimos, os contratos de publicidade e os repasses a partidos não começaram agora", afirmou Bittar. "A gênese do Valerioduto começou em 98. É fundamental restabelecer isso no relatório". Para os petistas, não é aceitável que o caso do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) seja tratado de forma secundária. "Azeredo foi caixa 2. Delúbio também foi caixa 2. Por que tratar de forma diferente? São essas inconsistências que queremos corrigir para que seja um relatório substantivo", disse Bittar. O petista afirmou também que, no substitutivo, haverá gradações nos indiciamentos de acordo com a responsabilidade das pessoas envolvidas.O deputado criticou o tratamento que foi dado por Serraglio ao empresário Daniel Dantas. "Ele foi um dos grandes agentes da prática de corrupção, foi investigado e o seu nome praticamente sumiu do relatório", disse Bittar.Na avaliação dos petistas, o relatório de Serraglio teve viés político e não seguiu critérios técnicos e jurídicos. Uma equipe do PT está trabalhando 24 horas por dia, segundo Fontana, na elaboração do substitutivo. A base será o próprio parecer de Serraglio. "Queremos um relatório equilibrado. Ele não pode ser a perseguição política de um partido", afirmou Fontana.

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