PT lança candidatura de Lindbergh para governado do Rio em 2014

Decisão de ter candidato próprio ameaça a aliança com o PMDB, do governador Sérgio Cabral

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

12 de novembro de 2012 | 16h58

RIO - O apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tornou-se decisivo para que o senador Lindbergh Farias (PT), cuja pré-candidatura a governador do Rio foi oficializada domingo pelo Diretório Regional da legenda, dispute o Palácio Guanabara em 2014 - mesmo que isso ameace a aliança com o PMDB. Depois de afastar Lindbergh da corrida pelo governo em 2010 em favor da reeleição do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), o ex-presidente tem dado sinais de que poderá agir de modo diferente na próxima sucessão. Um deles é o envio, no dia 23, de sua assessora Clara Ant para falar das Caravanas da Cidadania, experiência que o parlamentar quer repetir no Rio. Outra poderá ser a presença do ex-presidente no lançamento da iniciativa, depois do carnaval de 2013.

Para alguns petistas, a postura de Lula já se refletiu no resultado da reunião do último domingo no Diretório fluminense do PT, que aprovou por unanimidade a pré-candidatura de Lindbergh, embora o ex-presidente ainda não tenha se manifestado publicamente sobre a questão. O senador já se movimenta para evitar ou reduzir fissuras que poderiam ser abertas por sua pré-candidatura na relação com o PMDB do Rio de Janeiro. Na última sexta-feira, dois dias antes da reunião do DR que aprovaria sua pré-candidatura, Lindbergh esteve no Palácio Guanabara, para uma conversa com o governador. Durante o encontro, juntaram-se aos dois o vice-governador e preferido de Cabral para sucedê-lo, Luiz Fernando Pezão, e o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner.

O PT trabalha com um cenário em que a candidatura de Pezão, um político pouco conhecido da maioria do eleitorado fluminense, continuará enfrentando dificuldades, enquanto outro polo, liderado por um adversário de Cabral, o ex-governador Anthony Garotinho (PR), virtual pré-candidato, se fortalece. Em uma avaliação otimista, os petistas consideram que, com essa configuração, o governador poderia ser levado a apoiar o PT para se apresentar como vitorioso na disputa. Em outra configuração, mais pessimista, haveria três candidatos de partidos da presidente Dilma Rousseff ao governo do Rio, com Pezão e Lindbergh mantendo um pacto de não-agressão. A possibilidade de nova aliança imposta está afastada, avaliam petistas.

Proposta. Em entrevista na noite de domingo, Lindbergh explicou que a proposta petista é que a coligação seja mantida, mas com a candidatura do PT ao governo estadual e apoio do PMDB. "O cenário ideal é o de manter a aliança com o PMDB e assegurar a cabeça de chapa para o PT", disse o senador. "Não sendo possível, vamos fazer como na campanha de (Gabriel) Chalita (PMDB) e (Fernando) Haddad (PT) em São Paulo", declarou, referindo-se à convivência pacífica das duas candidaturas à Prefeitura paulistana no primeiro turno em 2012, que gerou, no segundo, uma aliança.

Lindbergh afirmou que o PT esperará até o segundo semestre de 2013 para conseguir o apoio do PMDB. Garantiu, porém, uma relação "respeitosa" do PT com Cabral e disse que os deputados estaduais do partido continuarão a apoiar o governo do Estado na Assembleia Legislativa. O senador também tem uma espécie de "seguro" contra uma intervenção da Direção Nacional em favor de Pezão: ele já indicou que, se for impedido de concorrer , irá para o PSB disputar o Guanabara. O crescimento das apostas em relação ao presidente nacional do partido, o governador Eduardo Campos (PE), tornou essa hipótese mais temida no campo governista.

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