PT já discute erros da campanha de Lindbergh

Partido avalia que houve falha na estratégia de comunicação; petista está em quarto lugar na disputa estadual

WILSON TOSTA / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2014 | 02h02

Duas semanas antes do primeiro turno das eleições de 2014, o comando da campanha do candidato do PT ao governo fluminense, senador Lindbergh Farias, ainda tenta entender o que considera ser uma contradição da disputa. Nas ruas, Lindbergh é recebido pelos eleitores em clima que beira a euforia. Há gritos, conversas de pé de ouvido, abraços, beijos. Mas esse calor não se reflete nas pesquisas de intenção de voto.

Até agora, elas o mantêm em quarto lugar, em patamar em torno dos 10%. Fica atrás de Luiz Fernando Pezão (PMDB), Anthony Garotinho (PR) e Marcelo Crivella (PRB). E não dá sinais de que sairá disso.

"Estão beijando, estão acenando, mas não estão votando", diz ao Estado, um pouco perplexo, Lindbergh, a bordo de um carro da campanha.

No fim da tarde da quinta-feira passada, o senador ficou quase duas horas serpenteando pelas ruas estreitas da Saara, região de comércio popular no centro do Rio. "Vamos virar esta merda", diz ao repórter, ao chegar. Entusiasmado, entra em lojas, discute política, pede votos. "Prazer, sou Lindbergh", diz. Lojistas o reconhecem e vão para a porta, conversar e pedir selfies. Garotas da campanha, com camisetas vermelhas decoradas com a estrela petista, cantam: "Para ser feliz/governador Lindbergh/é assim que se diz". Há até petistas da antiga, como Carlos Alves, o Carlinhos Xiita, que grita: "Olha o 13!". A eleitora Aparecida Lopes lamenta: não conseguiu uma foto com o candidato. O celular estava sem bateria.

Descompasso. Para explicar o descompasso entre essa boa recepção ao candidato e seu mau desempenho nas pesquisas, o presidente do PT do Rio, Washington Quaquá, analisa uma hipótese já discutida na campanha. Teria havido um erro no discurso de Lindbergh, de denúncia das desigualdades entre a zona sul e o resto do Estado. A postura teria gerado rejeição na classe média.

"Algumas vezes o tom não foi o ideal", diz Quaquá. "Tinha de ser mais de buscar a solidariedade da zona sul", afirma, mudando de posição em seguida. "O tom foi correto. É um Estado partido."

Há ainda a percepção de que houve dificuldades externas e internas envolvendo o programa de televisão da campanha. "A audiência caiu muito, mas muito mesmo", diz o senador.

Outro problema estaria na própria concepção do programa. Teria poucas imagens das atividades de rua, quase nenhuma emoção. "Na Rocinha, (Lindbergh, ao visitar o bairro) foi apoteótico. Não botaram uma imagem disso na TV", diz um dirigente.

Lindbergh resiste a admitir ter errado no discurso. "É no que acredito", diz. Reservadamente, petistas reconhecem que enfrentam rejeição na classe média em todo o País, inclusive na zona sul carioca.

Mas o senador reconhece que o PMDB foi mais competente na televisão. "Ele esconde o Sérgio Cabral (ex-governador que deixou o cargo com popularidade baixa). (Pezão) É um personagem que fizeram dele, completamente dissociado da vida política." Para Lindbergh, o avanço do peemedebista teria dificultado o seu próprio crescimento.

Agora, o senador quer investir no voto anti-Garotinho. A ideia é tentar repetir a onda que levou Fernando Gabeira (PV) ao 2.º turno na disputa pela prefeitura da capital, seis anos atrás. Na ocasião, duas ondas de voto útil - uma anti-Crivella, outra anti-Eduardo Paes - teriam culminado no 2.º turno entre Paes e Gabeira.

Neste fim de campanha, o programa de TV de Lindbergh vai mudar e ganhar emoção. Um novo depoimento de apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mais pessoal, já está sendo veiculado.

"Vamos tirar o Garotinho do 2.º turno", pede o senador, ao fim da atividade na Saara, na esquina da Rua Senhor dos Passos com Avenida Tomé de Souza. No carro, ao fim da entrevista, admite: "Tirando Minas Gerais, não está fácil para o PT em lugar nenhum. Mas ainda acredito. Estou na luta."

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