PT já discute apoio do ex-prefeito no 2º turno

Pesquisas indicam que provável adesão formal pode tirar votos de Marta

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

Líder absoluto nas pesquisas em São Paulo, o PT de Marta Suplicy já está em busca das estratégias para um eventual segundo turno da campanha. O partido já sabe, por exemplo, com base em pesquisas, que o provável apoio formal do candidato do PP à Prefeitura de São Paulo, Paulo Maluf, poderá tirar votos da petista.Diante do diagnóstico, caberá neste caso ao PP, integrante da base de apoio do governo no Congresso, um apoio silencioso na corrida pela prefeitura da maior cidade do País.Oficialmente, o PT nem sequer reconhece a existência da pesquisa que está sendo usada para delinear os rumos da campanha de Marta em um segundo turno. Mas ontem mesmo, durante entrevista, a candidata admitiu que a aproximação com o ex-prefeito não agrega. Em 2004, quando tentava a reeleição - ela acabou derrotada por José Serra (PSDB) -, Marta recebeu o apoio de Maluf. "Ele (Maluf) me deu apoio. Mas eu não pedi. Ele não transfere voto, muito pelo contrário", afirmou a ex-ministra, em entrevista ao portal de internet UOL.O coordenador da campanha de Marta, deputado Carlos Zarattini (SP), desconversa sobre o tema. Nega a existência da pesquisa e diz não ter "nenhum elemento" sobre o resultado de um eventual apoio de Maluf. Até porque, ressalta ele, "não é o momento" de pensar em segundo turno. "Isso é colocar o carro na frente dos bois", afirmou ontem ao Estado. Em 2000, quando foi eleita prefeita, Marta enfrentou Maluf no segundo turno da disputa. À época, a troca de farpas entre os candidatos era constante. Marta chegou a chamar Maluf de "nefasto" e "mitômano". O ex-prefeito, por sua vez, ironicamente, sempre se referiu à petista como "dona Marta do PT". A polarização entre os dois sempre foi tamanha que levou o então governador Mário Covas (PSDB) a declarar seu apoio a Marta contra Maluf. Apesar de doente - ele morreria em março de 2001 em decorrência de câncer -, Covas deu um apoio emocionado para Marta durante evento no Sindicato dos Jornalistas, no centro de São Paulo. "O PSDB não tem o costume de ficar em cima do muro. Ele toma posição", disse Covas na ocasião. Já quatro anos depois, quando tentava a reeleição na disputa com Serra, Marta recebeu "envergonhada" o apoio de Maluf. Agora, os dois voltam a se enfrentar e, apesar de criticar a gestão da ex-prefeita vez por outra, Maluf tem centrado foco mais em outros adversários. A razão é só uma: o governo Lula, do qual o PP participa.

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