PT já acha perdida luta para manter Marina

Berzoini não acredita que partido vá exigir devolução do mandato

João Domingos, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

O PT já dá como certa a decisão da senadora Marina Silva (AC) de deixar o partido para entrar no PV e concorrer à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como os apelos feitos até agora para que fique foram inúteis, os dirigentes parecem conformados. "De fato, Marina está vivendo um momento de reflexão. Se ela ficar, muito bem; se sair, sabe que terá minha amizade sempre", disse o presidente do PT, Ricardo Berzoini.Ele conversou ontem com a ex-ministra do Meio Ambiente e ouviu a mesma justificativa dada a outros petistas: ela está num momento de reflexão, no qual busca novas utopias para o desenvolvimento econômico sustentável, uma grande preocupação com as mudanças climáticas e a necessidade de se adotar uma política de preservação do meio ambiente como estratégia de governo."Pedi a Marina que refletisse também sobre o melhor lugar para desenvolver suas ideias, que é o PT, onde ela própria fundou um secretariado que se dedica ao meio ambiente", disse Berzoini. Ele falou ainda sobre a eventual devolução do mandato. "Tenho certeza de que ela é tão educada que, se chegar nela e pedir, ela o devolverá. Mas não acho que seja necessário. Não é preciso fazer isso.""Pude perceber que Marina já vem fazendo essas novas reflexões há tempos. Ofereceram a possibilidade de se candidatar a presidente, mas não acho que isso tenha levado a ela qualquer influência sobre ficar ou sair do PT", declarou Berzoini. "Se ela ficar, é porque pensou bem e decidiu assim; se sair, é porque efetivamente sairia."Após a conversa, Marina almoçou com o deputado Fernando Gabeira (RJ), um dos que trabalham para levá-la ao PV e fazê-la candidata.APOIOSGabeira atrelou seu futuro político à decisão da senadora. Ele deve ser candidato a governador do Rio pelo PV e já tem a garantia do apoio do PSDB, do PPS e do DEM. "Se a Marina sair candidata, a situação muda um pouco, porque até agora eu tinha o apoio do governador José Serra (PSDB). Como existe a possibilidade de Marina concorrer, e é isso que nós queremos, tenho de ver como é que fica essa costura agora."Ele disse que conversou com Marina sobre a possibilidade de, candidato a governador do Rio, ter dois palanques presidenciais, o dela e o de Serra. Também falou sobre as bandeiras da campanha, a necessidade de não ficar só no tema do meio ambiente, mas entrar na questão educacional, segurança pública, política externa, direitos humanos e outros.De acordo com Gabeira, a possibilidade da candidatura fez com que pessoas começassem a se apresentar ao PV e à senadora oferecendo estudos para as mais diversas questões. Um exemplo é o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que na eleição passada concorreu com uma bandeira só, educação.Tanto Gabeira quanto Marina concordaram que a mudança de partido e a candidatura presidencial envolvem uma delicada engenharia política, que fará muitos deles quebraram a cabeça pelos próximos meses. Após a dolorosa saída, raciocina Gabeira, Marina terá de trabalhar junto com o PV para montar um programa de campanha que envolva a população. Finalmente, chegará a hora de ser candidata, o que é sempre desgastante, por causa do assédio comum de gente interessada em oferecer algum tipo de apoio.

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