PT inicia disputa por cargos em eventual gestão em SP

Confiantes na vitória do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, integrantes de várias correntes do partido já se movimentam para ocupar cargos caso ele seja eleito no domingo (28). A articulação provocou a contrariedade não só de Haddad, mas também do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ordenou a suspensão do assédio e desautorizou as indicações.

VERA ROSA E DIEGO ZANCHETTA, Agência Estado

24 de outubro de 2012 | 10h05

Se vencer a disputa contra o candidato do PSDB, José Serra, Haddad pretende montar um secretariado com perfil mais técnico do que político. Deputados e vereadores do PT perceberam a tendência e, nos bastidores, começam a reclamar, dizendo que Haddad quer formar um governo "da academia", referência à origem do candidato, ex-ministro da Educação e professor licenciado da USP.

Na lista dos nomes que os petistas dão como certos em eventual equipe de Haddad estão Ana Odila de Paiva Souza e Vladimir Safatle. Ela foi a principal colaboradora do programa de governo na área de transportes. Vladimir é professor do Departamento de Filosofia da USP e ajudou na plataforma de Cultura.

O comentário de integrantes das correntes Construindo um Novo Brasil (CNB), Novo Rumo, PT de Lutas e de Massas e Mensagem ao Partido é que Haddad não cederá cadeiras estratégicas, como Saúde, Educação, Finanças e Desenvolvimento Urbano para ocupação política. O vereador Antonio Donato (PT), coordenador da campanha, é citado no partido tanto para a Secretaria de Governo como para Relações Governamentais.

Haddad se recusa a falar do assunto, sob o argumento de que ainda não ganhou a eleição. Lula usou o comício do candidato, no sábado (20), para mandar um recado aos petistas que estão de olho em cargos. Depois de dizer que tem lido notícias sobre disputas por espaço antes da abertura das urnas, ele não escondeu que age para barrar esse movimento.

"Ninguém pode querer comer o angu antes de estar pronto. É preciso deixar esfriar", afirmou o ex-presidente. Lula concluiu o discurso dirigindo-se a Haddad: "Você, se Deus quiser, será o prefeito de São Paulo, mas falta uma semana (...) Jamais vou te pedir um cargo na Prefeitura." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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