PT inclui Ciro em pesquisa

Partido testou também os nomes de Marta Suplicy, Aloizio Mercadante e Fernando Haddad

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2009 | 00h00

O PT já começou a testar qual seria a reação da população a uma eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) ao governo de São Paulo, apesar das resistências de alguns setores da legenda em abrir mão da cabeça de chapa na corrida estadual de 2010. Ciro foi incluído numa pesquisa qualitativa encomendada pelas direções estadual e nacional da sigla, finalizada há alguns dias. O levantamento começou a ser feito antes de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandar um recado à sigla, alegando que os petistas de São Paulo devem "levar a sério" a candidatura de Ciro. Desde então, o PT achou melhor abrir formalmente as negociações com o PSB. Mas o discurso ainda é o de que se trata de montar um projeto conjunto para 2010 e que cada sigla ainda vai apresentar um nome para a cabeça de chapa. A pesquisa apontou que jogariam a favor de Ciro o fato de ele ter projeção nacional e de ter sido ministro da Integração Nacional de Lula. Por outro lado, os entrevistados mostraram desconhecer o fato de ele ter nascido em Pindamonhangaba (SP) e o associaram diretamente à política nordestina.Ciro foi avaliado junto com outros possíveis nomes do PT para a vaga. A ex-prefeita Marta Suplicy (SP) e o senador Aloizio Mercadante (SP) apareceram como os mais conhecidos. Já o ministro da Educação, Fernando Haddad, seria um bom nome a ser construído para eleições futuras. O prefeito de Osasco, Emidio de Souza, é pouco conhecido, mas teria potencial para crescer, dizem petistas que tiveram acesso ao relatório da pesquisa. O ex-ministro Antonio Palocci, que costumava ser citado como o favorito de Lula, apresentou um resultado semelhante ao do último levantamento do PT. Foi visto como bom administrador e braço direito de Lula. Mas foi associado à quebra do sigilo do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Petistas insistem em que ele pode emergir como o nome mais forte do PT, se for absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF)."O Ciro é forte e é um bom nome na avaliação do presidente Lula, que pode nos ajudar a eleger a Dilma", disse o líder do PT na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), em referência à chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT ao Planalto, Dilma Rousseff. Mas o levantamento pode dar munição a setores que resistem a Ciro, já que permite reforçar o discurso de que o PT não precisa "importar" um candidato, principalmente se o eleitor não o identifica como um nome alinhado aos interesses de São Paulo. O presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), reconhece que ainda existem divergências em relação à composição com o PSB. Mas ameniza: "Isso não significa que haja um clima de briga dentro do partido".Na pesquisa, o PT também analisou a administração do governador José Serra (PSDB), cotado para disputar com Dilma em 2010. A sigla concluiu que não será fácil desconstruir a imagem de bom administrador, já que ele ainda é lembrado por sua gestão no Ministério da Saúde. Mas petistas dizem ver a chance de explorar pontos polêmicos da gestão como a lei antifumo, a demora na conclusão de obras e o fato de Serra ter renunciado à prefeitura para disputar o governo paulista em 2006.

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