PT fecha questão pelo financiamento público de campanha

Partido defenderá também fidelidade partidária e o fim das coligações proporcionais

Agencia Estado

03 de julho de 2007 | 14h47

Depois da derrota sofrida na Câmara em relação ao voto em lista fechada, o PT vai insistir na aprovação do financiamento público de campanha, um dos destaques do projeto de reforma política que tramita na Câmara dos Deputados. O presidente do partido, deputado federal Ricardo Berzoini (SP), admitiu nesta seguda-feira, 2, que a proposta fica bastante prejudicada sem aprovação do voto em lista, mas ressaltou que o financiamento público das campanhas é um elemento importante para a democracia."A nossa posição é que o financiamento das campanhas políticas seja totalmente público. Nós acreditamos que isso é o ideal para a democracia", afirmou Berzoini, após reunião da executiva nacional do PT na sede do partido, em São Paulo. "Claro que sempre registrando que a derrota do voto em lista foi um elemento de limitação para uma verdadeira reforma política", acrescentou.Na avaliação da legenda, o financiamento privado permite que o poder econômico tenha um papel decisivo na formação do Congresso. "Acho que nós temos a oportunidade de reduzir drasticamente esta influência do poder econômico e evitar essa idéia de que o deputado vai ficar com rabo preso porque recebeu uma doação", opinou.O PT admite também que será necessário aumentar a fiscalização por parte do governo para que o dinheiro destinado ao financiamento das campanhas não seja desviado para outros fins. Berzoini acredita, entretanto, que o Estado tem capacidade e recursos para cumprir essa tarefa."Não acho impossível o governo, que fiscaliza milhares de empresas e atividades econômicas complexas, avaliar o tamanho de uma campanha e o tanto que ela custa", declarou. Berzoini sugeriu que o esforço do Estado seria temporário e que, desta forma, funcionários de outros órgãos do governo poderiam ser deslocados para trabalhar durante as campanhas.Na proposta original, o governo destinaria R$ 7,00 por eleitor e mais R$ 2,00 para as campanhas majoritárias que cheguem ao segundo turno. Apesar de ponderar que o valor é pequeno, dada a dimensão das campanhas proporcionais, o PT apóia o projeto. "O mais importante é que o funcionamento público sai mais barato para a sociedade do que o financiamento privado", comentou.Mais pontosO PT vai defender também a fidelidade partidária e o fim das coligações proporcionais dentro dos destaques do projeto de reforma política. Embora tenha fechado posição a respeito dessas questões, membros do PT admitem que a luta será dura no Congresso Nacional.Além de diversos partidos fazerem oposição ao financiamento público de campanha, o PT tem opositores dentro do próprio partido, como ficou observado na votação da lista fechada. Na ocasião, mesmo tendo fechado questão, diversos deputados petistas posicionaram-se contra o voto em lista e ajudaram a derrubar o projeto na Câmara. Até o momento, a única questão consensual na Câmara parece ser a exigência da fidelidade partidária.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.