Carlos Villalba R./EFE
Carlos Villalba R./EFE

Em documento, PT convoca militância a defender 'democracia contra forças reacionárias'

Resolução aprovada pela Executiva Nacional petista, divulgada nesta sexta, faz críticas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que iniciou rito sobre processo de impeachment e diz que 'batalha' pela manutenção do mandato de Dilma vai reconstruir condições políticas para implementar programa

Ana Fernandes, Ricardo Galhardo e Letícia Sorg, O Estado de S.Paulo

04 de dezembro de 2015 | 20h26

Documento divulgado nesta sexta-feira, 4, pela Executiva Nacional do Partidos dos Trabalhadores convoca a militância e vários setores da sociedade para defender o mandato da presidente Dilma Rousseff da ameaça de impeachment. O texto que traz críticas ao peemedebista e à oposição, é a primeira manifestação oficial do partido após o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ter acatado na quarta-feira, 2, o pedido de impeachment.

"O povo brasileiro, mais uma vez em nossa história, está chamado a defender a democracia e a soberania do voto em eleições livres, contra forças reacionárias que aspiram a desfazer o resultado das urnas e a impor seus interesses antipopulares", diz a Executiva petista.

Segundo o partido, a "batalha" contra o impeachment será decisiva para "reconstruir as condições políticas que permitam a implementação do programa eleito pelo povo brasileiro em 2014, com a retomada do desenvolvimento do País, da distribuição de renda, da geração de empregos, da inclusão social, da melhoria dos serviços públicos".

O documento diz que Cunha, "ameaçado de cassação por ter mentido a seus pares" sobre contas não declaradas no exterior, respondeu com "truculência e ilegalidade à rejeição de manobras espúrias para proteger o cargo e o mandato".

O PT reiterou que não aceitou a "barganha espúria" proposta por Cunha em troca de apoio no Conselho de Ética em processo que pode lhe custar o mandato. "A presidente Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores honraram compromissos históricos e rechaçaram o método da chantagem, reafirmando disposição de defender, a qualquer custo, os valores éticos que sempre pautaram nossa conduta", diz o texto.

O partido reitera ainda não ver embasamento legal para um pedido de impeachment pela ausência de crime de responsabilidade que possa ser imputado à presidente e diz que o processo não passa de "ameaça golpista, um verdadeiro tapetão".

Para a Executiva do PT, quem apoia esse "caminho tortuoso" deseja "atropelar resultado das urnas" e se associa a Cunha. "Os que antes se diziam guardiões da ética e da moralidade, agora se acumpliciam com o parceiro de sempre que, por conveniência momentânea, fingiam renegar", diz.

Os petistas também dizem que estão em "estado permanente de mobilização" para evitar o afastamento de Dilma e convidam o "conjunto das forças democráticas" a se juntar ao esforço. Além de apelar à "aguerrida militância" que ocupe as "trincheiras da democracia", eles pedem aos "demais partidos progressistas, os sindicatos, os movimentos sociais, a Frente Brasil Popular, a Frente Povo sem Medo, a intelectualidade, a juventude, os homens e mulheres de bem" que se juntem à jornada "contra o retrocesso e pela legalidade".

A declaração foi aprovada em reunião nesta sexta-feira, em São Paulo, com 19 dos 21 membros da Executiva em São Paulo - faltaram José Guimarães (CE) e Flora Izabel (BA) -, além de 38 convidados, entre dirigentes partidários, parlamentares e movimentos sociais.

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