PT faz campanha contra projeto que abre pré-sal a multinacionais

Partido fala em 'garantir apoio do governo' e convoca militância para movimento em defesa da Petrobrás

Ricardo Galhardo e Vera Rosa, enviados especiais, e Luciana Nunes Leal, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2016 | 17h27

Atualizada às 19h19

RIO - Em direção contrária à do governo Dilma Rousseff, o PT vai desencadear uma campanha nacional contra o projeto de lei aprovado no Senado que retira da Petrobrás a exclusividade na operação da exploração do pré-sal e desobriga a empresa de exercer o direito de 30% de participação em todos os poços perfurados.

Em um projeto de resolução política apresentado nesta sexta-feira, 26, ao Diretório Nacional do partido, o PT chama o projeto aprovado na última quarta-feira pelo Senado em acordo com o governo de "projeto Serra", em referência ao senador José Serra (PSDB-SP), autor da proposta original.

O texto contraria o discurso do governo que, para explicar a repentina mudança de postura em relação ao tema, tem dito que o projeto aprovado pelo Senado teve várias modificações em relação à proposta do tucano.

No texto apresentado à direção petista, o partido fala em "garantir apoio do governo" para a campanha. "O PT convoca toda sua militância a se engajar numa ampla campanha em defesa da Petrobrás, do regime de exploração de partilha e contra o projeto Serra que abre a exploração do pré-sal às empresas multinacionais", diz o texto.

Embora ex-integrantes da cúpula do PT sejam investigados pela Operação Lava Jato por participação em um bilionário esquema de corrupção na estatal, o partido afirma que, em seus governos, "construímos uma empresa forte, capacitada tecnologicamente e presente em todo território nacional.

Além disso o texto também defende as empresas envolvidas no escândalo, cujas atividades foram inviabilizadas pela Lava Jato. "Temos que recuperar a Petrobras e a indústria naval e as empresas fornecedoras, restabelecer condições operacionais e creditícias dessas empresas abaladas pela Operação Lava Jato, que paralisou o setor".

Falcão. O presidente do PT, Rui Falcão, também afirmou nesta sexta-feira que o partido vai mobilizar a bancada na Câmara para rejeitar o projeto aprovado no Senado na quarta-feria, 24, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), que tira da Petrobrás a condição de operadora única e participação mínima de 30% na exploração do pré-sal. "Somos favoráveis à manutenção integral da lei do pré-sal instituída no governo do presidente Lula. Não queremos nenhuma mudança na condição de operadora única da Petrobrás, nenhuma mudança do regime de partilha para concessão. Vamos lutar com nossa bancada na Câmara para o que foi aprovado no Senado não prospere na Câmara", afirmou. A decisão do governo de negociar um texto final, que acabou aprovado e garante à Petrobrás preferência em futura licitações, irritou o PT, que acreditava ter aval do governo para rejeitar a proposta. 

Falcão participou da reunião do Diretório Nacional do partido. O presidente do PT voltou a defender o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, investigado por uma força-tarefa da Operação Lava Jato. "Se faz um combate à corrupção de forma seletiva, numa cortina de fumaça cujo objetivo é impedir uma eventual candidatura do Lula em 2018 uma espécie de impeachment preventivo, cautelar", criticou. "Há em gestação no País um estado de exceção dentro do estado de direito", afirmou.

O presidente do PT disse que o Diretório Nacional foi informado de que está mantida a suspensão por 60 dias do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que foi solto na semana passada depois de passar três meses presos, sob acusação de tentar dificultar as investigações da Lava Jato.

Dilma. Falcão disse não saber se a presidente Dilma Rousseff estará presente amanhã na festa do PT e comentou declaração do presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, de que não fazia questão da presença de Dilma. "Pode ter sido em um momento de desabafo. Não reflete o pensamento do conjunto do partido", afirmou o presidente nacional do PT. 

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