PT fará levantamento das contradições de Jader

O PT vai apresentar na próxima terça-feira ao Conselho de Ética do Senado uma representação contra o presidente do Senado, Jader Barbalho por falta de decoro parlamentar. O líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA), informou que até lá, o partido vai fazer um levantamento das contradições entre os pronunciamento do senador paraense na tribuna e as informações divulgadas em 1996 pelo jornal Estado de S. Paulo e ontem pela revista Veja no relatório do Banco Central a respeito dos desvios de recursos do Banpará nos anos 80.A iniciativa pode ser o início da escalada para a cassação de Jader Barbalho. Se forem confirmadas contradições entre pronunciamentos no plenário e os dados, o presidente do Senado poderá ser destituído e perder até o seu mandato por decoro parlamentar. Os ex-senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda começaram a ter aumentadas as suas chances de cassação quando foram constatadas contradições nos seus pronunciamentos. O empresário Luiz Estevão perdeu seu mandato porque os senadores constataram que o então senador peemedebista mentira em seus depoimentos ao Conselho de Ética.Como o Conselho de Ética só poderá se reunir a partir de agosto, com o fim do recesso, hoje mesmo, a bancada petista pretende apresentar um requerimento para a convocação da Comissão Representativa do Congresso para discutir o assunto. "Na reunião dos líderes do Senado, em junho, ficou acertado que as decisões sobre o encaminhamento do caso seriam tomadas após a divulgação do relatório do Banco Central. Agora que as informações estão aí, precisam ser avaliadas", adiantou Pinheiro. "Os depósitos nas contas de Jader estão comprovados pelos recibos publicados na reportagem, não é possível mais protelar isso", disse o líder.O primeiro obstáculo do PT, no entanto é o próprio presidente do Senado. Jader Barbalho é quem vai decidir se a comissão - integrada por sete senadores e 16 deputados - será convocada ou não. A comissão tem poder para tomar decisões de caráter urgente, que não podem esperar o início do semestre legislativo. É convocada pelo presidente do Congresso e toma decisões por maioria simples. Em janeiro de 2000, o ex-senador Antônio Carlos Magalhães chegou a reunir a Comissão Representativa para votar convocar o ex-ministro Eduardo Jorge Caldas e do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto, que haviam prestado depoimentos considerados contraditórios sobre o desvio de R$ 196 milhões da obra do Fórum Trabalhista de São Paulo.

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