PT exige rodízio nas presidências de Senado e Câmara

O PT se rebelou e passou a defender um rodízio com o PMDB nas presidências da Câmara e do Senado pelos próximos quatro anos. Os petistas não aceitam que o revezamento se restrinja ao comando Câmara, como quer o PMDB. O PT quer fechar um acordo "casado" com os peemedebistas para as presidências das duas Casas.

DENISE MADUEÑO E EUGÊNIA LOPES, Agência Estado

10 de novembro de 2010 | 20h18

"Não vamos aceitar que o revezamento valha apenas para Câmara. Não dá para o PMDB ficar com as duas Casas no último biênio", afirmou o senador eleito Lindberg Farias (PT-RJ). "É razoável que as duas maiores bancadas se revezem no comando da Câmara e do Senado", disse o senador Delcídio Amaral (PT-MS). "Tem que se colocar alternância no bolo", defendeu o deputado José Genoíno (PT-SP).

Caso o PMDB não aceite o acordo, os petistas ameaçam se articular para se manter nos próximos quatro anos na presidência da Câmara. Afinal, o PT elegeu a maior bancada com 88 deputados. Em segundo lugar ficou o PMDB com 79 deputados. A proposta do PT é ficar com o comando da Câmara no biênio 2011/2012 e com a presidência do Senado no período de 2013/2014. Já os peemedebistas ficariam com o comando do Senado nos próximos dois anos e com o da Câmara em 2013/2014.

O PMDB do Senado não deverá, no entanto, ceder facilmente o espaço para os petistas. A partir de 1º de fevereiro, o PMDB terá 20 senadores, mantendo a maior bancada da Casa. Em seguida, virá o PT com 14 senadores. Os peemedebistas alegam que o regimento do Senado prevê que a presidência da Casa fica nas mãos do maior partido. "Essa é uma questão regimental. O regimento existe para organizar a vida do parlamento. Só a maioria do parlamento pode revogar o regimento", argumentou o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). No regimento da Câmara não há uma regra clara com a determinação de que a Casa tem de ser presidida pelo maior partido.

A decisão dos petistas de "peitar" o PMDB ganhou força depois de uma reunião ontem da bancada eleita de senadores. A posição do partido no Senado foi ratificada hoje durante reunião da bancada de deputados com o presidente do PT, José Eduardo Dutra. "A bancada expressou para o Dutra que aceita o revezamento na Câmara na medida em que houver revezamento no Senado", explicou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). Essa foi a posição unânime dos petistas. "Não houve voz dissonante. A bancada mostrou que quer esse caminho, revezamento aqui e lá", disse o deputado José Guimarães (PT-CE), após a reunião com Dutra.

As articulações políticas empreendidas por Dutra com o PMDB vêm sendo duramente criticadas pelos petistas. Eles alegam que o presidente do PT não negociou em nenhum momento com o vice-presidente eleito e presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), uma solução casada para as presidências da Câmara e do Senado. Dutra teria trabalhado apenas pelo rodízio do PT e PMDB na Câmara, deixando de fora o comando do Senado.

Cobrado pelos petistas, Dutra argumentou que a proposta de revezamento apenas na presidência da Câmara veio do PMDB, mas que até agora o acordo não foi homologado pelo PT. Dutra descartou dar mais espaço para o PMDB no primeiro escalão do governo em troca da presidência do Senado para o PT. "Não há essa possibilidade", sentenciou.

Até o fim deste mês, o PT deverá decidir quem será o candidato do partido à presidência da Câmara. São quatro os candidatos: o atual líder do governo, Cândido Vaccarezza (SP), os ex-presidentes João Paulo Cunha (SP) e Arlindo Chinaglia (SP), e o vice-presidente da Câmara, Marco Maia (RS). O candidato do PMDB é o líder do partido na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN). No Senado, o PMDB ainda não definiu quem será o candidato. Aliados do senador José Sarney apostam que ele deverá entrar na disputa, apesar de dizer em público que não pretende concorrer à reeleição para a presidência do Senado.

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