PT exige investigação sobre denúncias contra Cristóvam

O Partido dos Trabalhadores (PT) montou uma estratégia para impedir que as acusações de desvios de recursos para financiamento das candidaturas oposicionistas na eleição de 1998 contaminem a campanha do candidato a presidente, Luís Inácio Lula da Silva, e ao ex-governador Cristóvam Buarque. O próprio Lula afirmou hoje que defende a apuração rigorosa das denúncias desvios de recursos da Associação dos Servidores da Fundação Educacional (Asefe) para financiar campanhas de candidatos oposicionistas. O presidente do PT, deputado José Dirceu (SP), adiantou que ?não deverá haver nenhum problema para Lula porque todas as providências estão sendo tomadas?. Dirceu afirmou que os deputados distritais em Brasília deram apoio à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara Legislativa, além de o diretório regional ter determinado a abertura de uma sindicância para apurar se houve desvio no comportamento dosmilitantes do seu partido. ?Que se puna quem cometeu irregularidades?, afirmou Dirceu. ?É preciso, no entanto ver o que é disputa política e o que é vingança?.O PT, PPS, PC do B e PCB vivem no Distrito Federal uma crise provocada pelas acusações do ex-diretor financeiro da Asefe, Firmino Pereira do Nascimento Neto, de que os candidatos oposicionistas teriam recebido em média R$ 70 mil para suas campanhas com parte dos R$ 20 milhões desviados da Asefe, segunda a gravação obtida ontem pelo O Estado de S.Paulo. Ele próprio confessou ? numa gravação feita sem o seuconhecimento, na casa do ex-presidente do Sindicato dos Professores, Marcos Pato - ter recebido R$ 75 mil, além de acusar os deputados distritais Wasny de Roure e Lúcia Carvalho.O ex-governador Cristóvam Buarque, segundo Firmino, também teria sido beneficiado com um repasse de R$ 200 mil obtidos com o superfaturamento de um show patrocinado pela Asefe. Além dos petistas, o deputado federal Agnelo Queiroz (PC do B) também teria recebido pelo esquema. Assim como os candidatos derrotados Chico Vigilante e José Eudes, do PT, e Trajano Jardim (PCB).José Dirceu sustenta que os acusados já estão tomando providências, lembrando a iniciativa de Cristóvam de interpelar judicialmente Firmino Neto, assim como Roure. ?Wasny sequer teve contato com a Asefe?, afirma o presidente do PT em defesa do deputado distrital. ?O problema é saber o que é denúncia e o que é luta política?, disse.O pivô da crise é o atual diretor-financeiro da Asefe, Eduardo Jorge Rodrigues de Miranda, petista, que combinou a gravação com Marcos Pato para ouvir Firmino Neto, do PPS. Os dois petistas são considerados integrantes de facções opostas ao presidente da Asefe, José Eudes ? um dos acusados ? e a Cristóvam.O presidente do PPS, senador Roberto Freire (PE), por sua vez,minimizou a crise do diretório regional do seu partido em Brasília. E descarta a possibilidade de as denúncias respingarem na campanha do pré-candidato a presidente, Ciro Gomes. ?O partido em Brasília teve uma posição muito definida ao defender a instalação da CPI?, afirmou.Freire não acredita que o partido vá ter dificuldades pelo fato de oprincipal denunciante pertencer ao seu partido. Segundo ele, Firmino Neto já está sendo submetido a uma comissão de ética. ?Se for comprovado, ele que seja punido?, antecipou-se.Integrantes do partido em Brasília apostam na expulsão de Firmino Neto. Domingo passado ele teve oficializada a negativa do partido de dar a legenda para sua candidatura a deputado distrital. Embora tenha decidido apoiar a CPI das Esquerdas na Câmara Legislativa em Brasília, o PT vai disputar a indicação para um dos dois cargos mais importantes da comissão de inquérito. A comissão deverá ser instalada na semama que vem.O líder do PT na Câmara Legislativa, deputado distrital ChicoFloresta, disse que sua bancada pode aceitar a relatoria ou apresidência da comissão, mas quer um petista ocupando um dos cargos. O deputado Alírio Neto, único integrante do PPS no Legislativo brasiliense, é candidato, apesar de o principal implicado nas acusações ser o ex-diretor da Associação dos Servidores da Fundação Educacional (Asefe) Firmino Pereira do Nascimento Neto (PPS). ?Vou apurar profundamente e se ele for culpado, eu detono?, afirma o parlamentar, que é delegado da Polícia Civil licenciado. ?Sou candidato a presidente?.Chico Floresta no entanto garante que caso a oposição fique com a presidência da comissão, ela será do PT. ?Somos cinco petistas numa oposição de sete deputados?, contabiliza. ?Pretendemos apurar tudo em rito sumário, porque quem for culpado, quepague, mas quem for inocente não pode ficar sob suspeita?, afirma o líder.A relatoria deverá ficar com a deputada Eurides Brito (PFL),ex-secretária da Fundação Educacional do governo Joaquim Roriz. O Ministério Público não forneceu as informações sobre o andamento do processo em virtude da divulgação do conteúdo da fita grava. O processo vinha sendo encaminhado pelo promotor José Valdenor Queiroz, que recebeu no início do ano as denúncias de fraudes na Asefe.

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