PT evita engrossar coro por renúncia e fortalece Sarney

Ao fim do dia, todos os partidos optaram por manter apenas o pedido de afastamento do presidente do Senado

Eugênia Lopes e Christiane Samarco, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de agosto de 2009 | 00h00

O PT reforçou ontem o apoio para a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa ao manter a posição pela licença temporária e não aceitar um convite de outros quatro partidos (DEM, PSDB, PDT e PSB) para pedir a renúncia do senador ao cargo. A decisão do PT acabou fortalecendo Sarney e deixando isolados os senadores que defendiam a renúncia - ao fim do dia, todos os partidos optaram por manter só o pedido de afastamento de Sarney.   Veja Também Decisão sobre primeiras ações contra Sarney sai na quarta Sarney adia discurso no Senado, diz assessoria Senado barra pagamento de contratados por ato secreto Sarney revalida 36 dos 663 atos secretos do Senado  O bate boca entre Renan Calheiros e Pedro Simon Fernando Collor manda Pedro Simon engolir o que disse Nas páginas do Estadão, a luta contra a censura Se o PT tivesse concordado com a renúncia, os demais partidos fariam o mesmo tornando inviável a permanência de Sarney no comando do Senado.Em um plenário de 81 senadores, os 5 partidos somam 46 votos - 14 do DEM, 13 do PSDB, 12 do PT, 5 do PDT e 2 do PSB. Mesmo com as dissidências (senadores francamente favoráveis a Sarney), a situação do presidente do Senado ficaria mais frágil com o pedido formal dos partidos para que renunciasse. Em uma demonstração clara de que sua renúncia ficou mais longe, Sarney fez questão ontem de presidir a sessão do Senado por mais de duas horas e depois desfilou com desenvoltura pelo plenário cumprimentando aliados e até "inimigos". Inicialmente, os cinco partidos haviam cogitado fazer uma nota conjunta pedindo o afastamento de Sarney da presidência do Senado, mas acabaram desistindo, reforçando sua permanência no comando da Casa. O dia começou ontem com os partidos de oposição tentando articular uma reação à tropa de choque do PMDB para que fosse preparado documento favorável à renúncia de Sarney do comando do Senado.Numa reunião a portas fechadas, o líder do DEM, José Agripino Maia (RN), e o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), afirmaram que a ideia era evoluir da posição de licença/afastamento para a renúncia de Sarney. O líder do PT, Aloizio Mercadante (SP), descartou imediatamente essa possibilidade."O mandato que tenho da bancada é com o pedido de licença temporária como ato de grandeza de Sarney. Não tenho mais nada além disso", afirmou Mercadante, segundo participantes do encontro. O pedido de licença, que ao ser defendido pelo líder petista na semana retrasada significava um passo do PT contra Sarney, com o agravamento da crise ontem representava um recuo.Para evitar acirrar os ânimos com o Planalto, Mercadante desmarcou reunião da bancada para se posicionar sobre a crise no Senado e a permanência de Sarney no cargo. Alegou que a posição dos 12 senadores petistas permanecia a mesma e, por isso, não era necessária nova reunião. Há dez dias, Mercadante foi enquadrado pelo presidente Lula, que mandou desautorizar sua nota defendendo a licença de Sarney.Diante da posição petista, Agripino foi reunir-se com sua bancada, que decidiu também defender apenas o afastamento de Sarney e não mais a renúncia. O DEM também recuou da decisão de entrar com representação no Conselho de Ética contra Sarney - vai apoiar algumas das denúncias que já estão no colegiado (leia na página A7). "Defender algo cuja solução está com o acusado tem efeito espuma", justificou Agripino. A renúncia depende de gesto unilateral de Sarney. Já o afastamento poderá ser votado no Conselho de Ética. Sarney tem, no entanto, maioria folgada no colegiado - são dez votos a seu favor contra apenas cinco. "Nossa tese é do afastamento. Não houve mudança. O que importa é que no Conselho de Ética os votos serão iguais", completou o líder do DEM. Os tucanos também amenizaram o discurso. "A posição que tomamos foi a de pedir o afastamento do Sarney por dois meses", disse Guerra. "Nunca pedimos sua renúncia. Isso é coisa do DEM."

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