Rodolfo Buhrer/Reuters
Rodolfo Buhrer/Reuters

PT estuda processar o Whatsapp nos Estados Unidos

Segundo o ex-candidato à Presidência, Fernando Haddad, as respostas dadas pela empresa com relação a disseminação de fake news foram insuficientes

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2018 | 19h19

BRASÍLIA - O ex-candidato à Presidência da República pelo PTFernando Haddad afirmou nesta quarta-feira, 21, que o partido estuda processar o Whatsapp nos Estados Unidos, onde está localizada a sede da empresa. Para ele, as respostas dadas pela companhia a questionamentos da Justiça eleitoral brasileira sobre a disseminação de fake news durante as eleições foram insuficientes.

"Nós pretendemos explorar a possibilidade de entrar com uma ação judicial contra o Whatsapp lá, na sede da empresa, para que ela lá preste contas do que fez aqui, desconhecendo a jurisdição das autoridades brasileiras, sobre o que eles deveriam em termos de transparência oferecer para o País", afirmou Haddad. 

Ele deverá ir a Nova Iorque na próxima semana para participar da Internacional Progressista, o primeiro de uma série de eventos que ele pretende ter no exterior para fortalecer uma agenda internacional do partido. 

De acordo com Haddad, a sigla ainda estuda os meios para viabilizar a ação judicial em solo americano. "Precisamos saber se temos legitimidade, como partido, para acionar a Justiça americana ou se precisamos nos associar a alguém de lá. Estamos estudando a legislação", disse. 

O ex-prefeito de São Paulo disse ainda que o Whatsapp tem se negado a abrir os seus macrodados para explicar a onda de mensagens consideradas como falsas que se espalharam pelo aplicativo durante o processo eleitoral, principalmente na última semana antes do primeiro turno. 

"Estamos com o radar ligado para mobilizar essas forças internacionais, uma vez que essa onda conservadora é internacional também. E se vale muitas vezes do mau uso das tecnologias para solapar a democracia", disse.

Haddad participou durante a tarde de uma reunião com as bancadas do PT na Câmara e no Senado. De acordo com ele, os petistas discutiram como o partido se portará no próximo governo de Jair Bolsonaro. "Vamos defender uma agenda em dois planos: a defesa dos direitos sociais e dos direitos civis. Para ele, as duas agendas podem agregar forças de oposição até mesmo da centro-direita. Haddad citou como exemplo a defesa de uma escola laica. 

Haddad disse ainda que o PT saiu das eleições consagrado como a principal liderança da centro-esquerda. Questionado sobre quais erros o partido cometeu nas eleições, Haddad admitiu que a sigla não estava preparada para o "tsunami cibernético" que afetou o partido.

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