Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

PT está dividido sobre pedir mandato de Marta na Justiça

Formalmente a decisão caberá ao diretório estadual, presidido pelo ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, mas lideranças da sigla se dividem sobre as consequências políticas que a judicialização do caso pode trazer para o partido

Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

28 Abril 2015 | 16h12

São Paulo - O PT está dividido sobre a possibilidade de requerer na Justiça o mandato da senadora Marta Suplicy, que formalizou nesta terça-feira, 28, sua desfiliação depois de 33 anos de militância petista.

Formalmente a decisão caberá ao diretório estadual, presidido pelo ex-prefeito de Osasco Emidio de Souza, pois o mandato de senador é um cargo majoritário estadual. Emidio já se posicionou diversas vezes a favor de o PT tentar retomar o mandato de Marta. 

Ele argumenta que a senadora se recusou a dialogar com o partido sobre os motivos de sua insatisfação e, portanto, não tem argumentos para alegar perseguição ou diferenças ideológicas. Quando Marta deu os primeiros sinais de afastamento na entrevista ao Estado na qual dizia que ou "o PT muda ou acaba", o presidente estadual foi encarregado de procurá-la para uma conversa. Marta nem sequer respondeu os pedidos para um jantar.

A posição de Emidio é reforçada pela pressão da militância manifestada ao longo do dia por meio das redes sociais e por alguns integrantes da direção nacional do PT.

Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e responsável pelas redes sociais do partido, diz que há muita pressão nas redes sociais para que o partido peça o mandato na justiça. "É direito do partido pedir o mandato e a militância quer isso. O sentimento é este. Marta saiu por livre e espontânea vontade", afirma o dirigente.

Por outro lado, o presidente nacional do partido, Rui Falcão, considera que a tentativa de requerer o mandato de Marta na Justiça seria um erro político. Para Falcão, não existe segurança de que a ação teria respaldo da Justiça, pois ao contrário dos deputados, o cargo de senador é majoritário, pessoal. Entre os advogados próximos ao PT existem muitas dúvidas a respeito da eficácia da ação.

Com base neste argumento, o presidente nacional do PT alega que uma representação contra Marta na Justiça Eleitoral poderia trazer desgaste ao partido sem a certeza de um resultado favorável. 

A senadora poderia usar o longo processo judicial como palanque para fazer novos e reiterados ataques ao PT e ainda posar como vítima do partido diante da opinião pública. Além disso, Falcão argumenta que a decisão deve sair apenas em meados do ano que vem, quando tanto Marta quanto o prefeito Fernando Haddad estarão em plena campanha pela prefeitura de São Paulo.

Na próxima terça-feira, 5 de maio, a executiva municipal do PT da Capital, ao qual Marta era filiada, vai se reunir para avaliar o caso. A decisão será tomada em conjunto pelas instâncias partidárias mas a palavra final caberá ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, segundo interlocutores está mais próximo da posição de Falcão.

Segundo fontes petistas, o partido não deve tomar a decisão antes de Marta se filiar ao PSB, o que só deve acontecer no final do mês. 

Até lá o PT está mais preocupado em dar uma resposta política à senadora. Os presidentes nacional, e municipal, Paulo Fiorilo, divulgarão uma nota ainda nesta terça para rebater os ataques feitos por Marta na carta de desfiliação. A maior preocupação do PT em relação à saída de Marta é quanto ao impacto na candidatura de Haddad à reeleição. Existe no partido o temor real de que ela atraia o PMDB, partido ao qual seu marido, Marcio Toledo é filiado, e reduza consideravelmente o tempo do petista na TV.

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