PT escolhe novo tesoureiro e veta doação de empresas

Ex-deputado de Sergipe é escolhido após ameaça de renúncia de dirigente; partido vai tentar compensar perdas com doações online

Ricardo Galhardo, Ana Fernandes e José Roberto Castro , O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 19h18

São Paulo - (atualizado às 21h43) O diretório nacional do PT aprovou nesta sexta-feira, 17, o nome do ex-deputado e ex-secretário do Meio Ambiente de Sergipe Marcio Macedo para substituir João Vaccari Neto, preso na quarta-feira pela Operação Lava Jato, na tesouraria do partido. A sigla também aprovou resolução para proibir diretórios da legenda de receberem doações de empresas.

Macedo foi indicado ao lugar de Vaccari pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão, que ameaçou renunciar ao cargo caso a corrente majoritária, Construindo um Novo Brasil (CNB), insistisse em um nome que não fosse de sua plena confiança. “Era necessário que o tesoureiro escolhido, até por compartilhar todas responsabilidades comigo, tivesse sintonia”, disse.

O presidente do PT indicou inicialmente o deputado estadual José Américo (SP), que faz parte do seu grupo político, o Novo Rumo, mas a CNB vetou o nome e indicou João Batista, dirigente do PT do Pará. Depois de tentar vários outros nomes, todos recusados pela CNB, Falcão indicou Macedo, que também foi vetado. A corrente majoritária só aceitou o nome após a ameaça de renúncia. “Ele aceitou encarar uma tarefa espinhosa”, admitiu Falcão.

Divisão. A decisão de abrir mão das doações privadas também divide o PT. Um setor da CNB próximo ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é contra. Para que o texto fosse aprovado, foi firmado um acordo pelo qual caberá ao 5.º Congresso Nacional do PT, em junho, poder para regulamentar e referendar a decisão.

Empresas privadas foram responsáveis por 71% das receitas do PT entre 2009 e 2012. Falcão não explicou como o partido vai pagar dívidas como os R$ 30 milhões deixados pela campanha de Alexandre Padilha ao governo de São Paulo.

Conforme o Estado adiantou, o PT vai tornar disponível a partir de 1º de maio uma ferramenta na internet que permite a qualquer pessoa doar de R$ 15 e R$ 1 mil ao partido. O lançamento será acompanhado de uma campanha na web e nas redes sociais.

Na resolução aprovada ontem, o PT declarou apoio ao governo Dilma Rousseff diante da ameaça “golpista” dos grupos e partidos que pedem o impeachment. Mas a sigla criticou de forma indireta o ajuste econômico proposto pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, ao orientar as bancadas na Câmara e no Senado a “aprimorar” o pacote. Além disso, o PT defende que Dilma vete o PL 4330, que amplia a terceirização de mão de obra, se for aprovado pelo Senado.

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