PT era mestre em fazer 'abaixo FHC', lembra ex-presidente

Para FHC, Lula não sabia o que estava dizendo ao declarar que vaias brincam com a democracia

Anne Warth, da Agência Estado,

02 de agosto de 2007 | 20h07

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta quinta-feira, 2, que a existência de movimentos que criticam o governo é natural e faz parte da democracia. E completou dizendo que vaias e manifestações não são uma ameaça ao regime democrático, como sugeriu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em evento para anunciar Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Mato Grosso. "Eu não sei a que ele está se referindo. Não acho que manifestar a opinião seja brincar com a democracia. Democracia não é opinião unânime, não é opinião de sua majestade. É opinião do povo", declarou.   "Tem MST, Tem 'Cansei', Tem abaixo não sei quem. O PT era mestre em fazer 'abaixo FHC'. Logo depois da minha segunda eleição, em que eu tive maioria absoluta já no primeiro turno, eles vieram com o abaixo FHC", disse. O ex-presidente deu as declarações antes da palestra de lançamento da Revista Americas Quarterly, no auditório do Itaú Cultural, na capital paulista. "Aliás, é da índole da sociedade democrática. Quem está no governo tem que entender que isso faz parte do jogo. Fazer o quê? Uns cansados, outros acham que é pouco. São percepções, é normal", acrescentou.   FHC avaliou que Lula não sabia o que estava dizendo quando afirmou que as manifestações eram uma forma de brincar com a democracia. "Acho que o presidente Lula, de vez em quando, usa as palavras sem atentar realmente ao significado delas", declarou. Sobre a reclamação de Lula, segundo a qual aqueles que o vaiam são os que mais ganharam dinheiro em seu governo, FHC ponderou que o presidente também tem o direito de reclamar, mas que não deveria levar as vaias tão a sério. "Eu posso dizer isso porque sou doutor em vaias. O PT me vaiava o tempo todo", disse, entre risos.   Para o ex-presidente, entretanto, as manifestações não foram manipuladas e não refletem o sentimento de apenas uma camada social. "Não são só os ricos, que geralmente nem vaiam, porque têm medo. Querem continuar ganhando dinheiro e não vão vaiar o presidente", ponderou.   Ao comentar a recomendação que fez ao presidente Lula, para que fosse mais humilde, FHC disse que o conselho valia para si mesmo. "Acho que todas as pessoas que estão exercendo certas funções têm que tomar muito cuidado, porque a tendência natural é você ficar um tanto assim, não sei, um tanto arrogante, mesmo que não se tenha consciência ou intenção disso", disse.   "No caso do presidente, ou ex-presidente, no qual me incluo, deve-se tomar cuidado porque às vezes há momentos em que você não está suficientemente autocontrolado ou alerta, mas um esforço para ser humilde é um esforço sempre bom", finalizou.

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