PT enfrenta resistência de Paulo Paim à taxação de inativos

Depois das divergências da senadora Heloísa Helena (PT-AL) em torno das reformas, o PT está enfrentando um novo problema em seus quadros: o senador Paulo Paim (PT-RS) expôs publicamente, na tribuna, sua posição contrária à taxação dos inativos, incluída na proposta da reforma previdenciária. "Se for mantida nos moldes que está, votarei contra. Tudo tem limite", disse Paim.Além de ressaltar que não tem condições de votar a favor da cobrança dos inativos, Paulo Paim anunciou que, na próxima quarta-feira, se reunirá com entidades representativas de aposentados para buscar uma alternativa. O senador petista disse ser contra também o teto salarial de R$ 17.171 fixado na reforma para os servidores públicos, pois entende que esse valor deve baixar para R$ 8.500, para se equiparar ao salário do presidente da República. As declarações de Paulo Paim receberam respostas imediatas do líder do PT no Senado, Tião Viana ( AC), que reagiu indignado. Segundo ele, os senadores devem manifestar suas posições internamente, e não discuti-las fora do âmbito partidário, como Paulo Paim vem fazendo. O líder reclamou que há dois meses Paim não participa de reuniões da bancada e que a unidade de ação é um pré-requisito para quem deseja estar integrado ao PT. "Será que ele (Paim) acha que uma pessoa que ganha mais de R$ 52 mil não deveria pagar contribuição?", perguntou Tião Viana. Na avaliação do líder, Paim estaria sendo atraído pelos holofotes da imprensa, mas que o melhor caminho é o diálogo interno. "O partido é democrático, tem uma linha ética e um estatuto que deve tratar com maior clareza e grandeza aqueles que ajudaram a construí-lo. Agora, querer aceitar com naturalidade, de maneira complacente que alguém venha tentar desmoralizar a história desse partido, isso nós não vamos aceitar", disse. Ele explicou que o Congresso poderá até negociar a isenção da taxação de inativos para uma faixa superior, mas que isso dependerá das negociações.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.