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PT é resistência ao Serrasconi, diz coordenador de campanha de Haddad

Antonio Donato comparou o tucano ao ex-primeiro ministro italiano, cujos mandatos são marcados por suspeitas de corrupção

Ricardo Chapola, estadão.com.br

12 Maio 2012 | 16h35

Texto atualizado às 10h24 do dia 13/05

SÃO PAULO - O coordenador da campanha de Fernando Haddad (PT) e presidente do partido na capital, vereador Antonio Donato, comparou neste sábado, 12, José Serra ao ex-primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi. A associação foi feita pouco antes do início de seminário sobre transporte público na capital, enquanto anunciava a presença de dois parlamentares do Partido Democrático italiano, oposição a Berlusconi. "Eles são da resistência a Berlusconi. Nós, aqui, somos da resistência ao Serrasconi", disse. O pré-candidato petista não quis comentar a relação feita por Donato. "Eu não desenvolvi esse tema com ele".

Berlusconi ocupou o cargo mais importante da Itália em três ocasiões (1994/1995, 2001/2006, e 2008/2011), com mandatos marcados por inúmeras suspeitas de corrupção. Além de figura política, Berlusconi também está ligado ao setor empresarial: preside um dos principais times da Itália, o AC Milan, detém os principais veículos de comunicação do País, bem como possui algumas empresas de entretenimento. A revista Forbes o cita como a segunda pessoa mais rica da Itália e 74º homem mais rico da Europa, com uma fortuna pessoal estimada em quase 9 bilhões de dólares.

À tarde, Haddad participou da missa celebrada por D. Fernando Figueiredo, com a presença de padre Marcelo Rossi no Santuário do Terço Bizantino. A campanha do petista tenta criar uma blindagem de religiosos por temer críticas ao chamado "kit gay".

Agressividade. Durante o seminário, Haddad atacou mais uma vez as gestões de Gilberto Kassab (PSD) e do PSDB, tanto na Prefeitura, sob administração de Serra, em 2005, quanto no Governo, sob o comando tucano desde 1995. O ex-ministro culpou os últimos prefeitos pelo que vem chamando de "apagão nos transportes" e ironizou as metas traçadas pelo governador Geraldo Alckmin em atingir os 200 km construídos de malha metroviária. "O Governo do Estado declarou que vai fazer, até 2018, 12 vezes mais no metrô do que fez nos últimos 18 anos. Quem fez a promessa parece que não tem credibilidade para bancá-la", ironizou Haddad. "É uma promessa não crível por quem fez".

Por meio de nota, o deputado estadual, Pedro Tobias (PSDB), reagiu às declarações de Fernando Haddad. O tucano contra-atacou usando os escândalos do Enem, ocorridos durante a gestão do petista à frente do Ministério da Educação, como exemplo de que falta de credibilidade ao ex-ministro, e não ao governador. "Falta de credibilidade tem o Haddad, que não conseguiu fazer direito nem as provas do Enem e quer convencer São Paulo de que pode administrar uma metrópole. Apesar do PT ter virado as costas para SP nos últimos 9 anos, o metrô da capital vai continuar crescendo, porque aqui temos um governo sério", defendeu o deputado.

Em vários momentos de seu discurso de meia hora, o ex-ministro destacou a paralisia das obras do setor e atribuiu as carências ao "tempo tucano para se resolver problemas". "São Paulo não tem esse tempo mais, o tempo tucano para se resolver os problemas. Por exemplo, para termos o metrô do México, nós teríamos que ter 65 anos do governo do PSDB, trabalhando no ritmo deles", disse durante seu discurso.

Para o petista, Kassab também não foge das políticas adotadas até agora. "O Kassab transferiu recursos que continuam parados. Isso não é investimento, é lavar as mãos. O dinheiro, nessa Prefeitura, virou uma espécie de batata quente. Ela quer se livrar dele por não saber o que fazer, por falta de projeto", disse. "A gente (o PT) tinha tanto projeto quando estava na Prefeitura, mas não tínhamos dinheiro. Eles têm tanto dinheiro, mas num têm nenhum projeto".

O tema do seminário faz parte de um dos 4 eixos da plataforma de campanha do ex-ministro. Transporte público, na óptica do petista, se trata de um problema agudo da cidade, tal como moradia. As outras 2 diretrizes, anunciadas no final de abril, são saúde e educação, problemas de ordem crônica.

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