PT e PSDB já se mobilizam para eleições municipais

Os dois partidos que disputaram o segundo turno das eleições presidenciais, PT e PSDB, já se preparam para um novo embate nas urnas, as eleições municipais de 2004. Embora o pleito ocorra apenas daqui a um ano e meio, petistas e tucanos iniciaram, nos bastidores, as articulações para realizar, após o Carnaval, um eficiente trabalho de comunicação junto ao eleitorado paulista para garantir uma boa performance no ano que vem. "Eleição a gente ganha um ano antes. Portanto, a hora de trabalhar é agora", argumenta o presidente nacional do PT, José Genoino. Com a mesma constatação, os diretórios estadual e municipal do PSDB já se mobilizam neste sentido e, de acordo com o presidente estadual da legenda, deputado Edson Aparecido, vai trabalhar com o foco nas 102 cidades do Estado com mais de 50 mil eleitores. "Essas cidades representam 82% do eleitorado de São Paulo", atesta o deputado, informando que, deste total, os tucanos administram 25 cidades. "O PT pode ser bom de alarde, mas é ruim de governo. O PSDB pode não ter sido bom em comunicação, mas agora, vai mostrar que o importante é saber governar e temos vários exemplos disso", garante o presidente nacional do partido, José Aníbal. O PT também começa a sair a campo logo após o Carnaval, com o objetivo, segundo José Genoino, de dobrar o número de prefeituras administradas pela legenda: atualmente são 183 em todo o País, com 36 delas no Estado de São Paulo. "Além de duplicar as 183 prefeituras espalhadas pelo Brasil, nosso objetivo é fortalecer o nosso desempenho nas capitais e grandes centros", avisa o dirigente petista. Ele comenta que os dois grandes objetivos do PT em 2003 são apresentar propostas para o governo Lula e preparar o partido para as eleições de 2004. Dentro da preparação para a disputa de 2004, Genoino diz que o primeiro passo será a visita que ele fará a diferentes Estados e cidades administradas por seu partido. "Depois da reunião do Diretório Nacional (a ser realizada após o Carnaval) vou visitar vários Estados e a cidades administradas pelo PT", diz. Desempenho fundamental Genoino reconhece que o desempenho do governo Lula será fundamental para o partido no pleito do ano que vem. "O PT vai se beneficiar dos êxitos do governo federal. Um bom governo Lula vai nos ajudar", acredita. "Bons governos estaduais e boas administrações municipais ajudaram a eleição para a Presidência. Agora, será o inverso." O petista afirma também que o PT vai apostar na comunicação por meio da TV. "Uma boa comunicação vai nos ajudar e colaborar para que as prefeituras possam exibir o que têm feito." Em relação aos nomes que disputarão as prefeituras, Genoino comenta que defende o princípio político e que, portanto, vai propor a todos os petistas que onde houver possibilidade de reeleição, não sejam realizadas prévias. Na capital paulista, ele adianta que a prefeita Marta Suplicy deverá ser a "provável candidata à reeleição". Um embate entre tucanos e petistas nas eleições municipais do ano que vem, na Capital, é a aposta da analista de pesquisas políticas, Fátima Pacheco Jordão. Ela adverte, contudo, que o eleitor rejeita antecipações dessa discussão. "Se a propaganda for muito explícita, o eleitor pode rejeitar, pois o que o eleitorado leva em conta nas eleições municipais são os programas concretos." Nesse contexto, ela diz que a prefeita Marta Suplicy é uma forte candidata à reeleição. "Apesar de todas as dificuldades, a performance eleitoral dela é forte". Ao falar do PSDB, ela cita o trabalho do governador Geraldo Alckmin no Estado: "Ele está realizando uma boa administração e o seu desempenho convincente será um fator positivo para os candidatos que disputarem as eleições municipais pelo seu partido." Últimas eleições Nas eleições municipais de 2000, o PMDB conquistou o maior número de prefeituras em todo o País, num total de 1.257 (22,6%), o segundo lugar ficou com o PFL, que venceu o pleito em 1028 municípios (18,5%), o PSDB conquistou a terceira posição, ao vencer as eleições em 990 cidades (17,8%). Em quarto lugar ficou a coligação PDS-PPR-PPB com 618 prefeitos eleitos (11,1%), seguido de PTB com 398 (7,2%), PDT com 288 (5,2%), PL com 234 (4,2%) e PT com 187 (3,4%). Esses dados, disponíveis nos sites do TSE, TRE e do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ), referem-se apenas aos resultados das eleições de 2000, mas não estão atualizados. Segundo o pesquisador Carvalho Teixeira, nesse período muitos políticos mudaram de partido e, alguns, morreram. "Normalmente os registros só são feitos pelos tribunais eleitorais no período das eleições e não são atualizados", afirma. Tucanos querem mudar a tradição das disputas na capital O trabalho de comunicação que o PSDB pretende desenvolver junto ao eleitorado do Estado pode levar o partido a quebrar a tradição de a disputa do segundo turno pela Prefeitura da capital ser travada pelo PPB de Paulo Maluf e o Partido dos Trabalhadores (PT). "Os tucanos nunca chegaram ao segundo turno das eleições na capital porque, apesar de ser um partido urbano, é pouco voltado para as questões municipais", destaca o cientista político e pesquisador da FGV e da PUC de São Paulo, Marco Antônio Carvalho Teixeira. Desde as eleições de 1988, o PSDB nunca chegou na reta final. Apenas em 2000, Geraldo Alckmin chegou perto do segundo turno, mas perdeu a chance de disputar com a atual prefeita Marta Suplicy (PT) por ficar atrás de Paulo Maluf (PPB) com uma diferença de apenas 7 mil votos. Apesar da derrota nos últimos pleitos, lideranças petistas e tucanas não subestimam o potencial de Paulo Maluf nas eleições em São Paulo. "Ele pode ter perdido expressão, mas não podemos subestimá-lo", diz Edson Aparecido, presidente estadual do PSDB. Em relação a outro político tradicional em São Paulo, Orestes Quércia (PMDB), que também já saiu a campo para comandar o partido nas eleições municipais, as apostas são diferentes. "Tenho a impressão de que o eleitor já o vê como carta fora do baralho", destaca a analista de pesquisas políticas, Fátima Pacheco Jordão. A analista acredita, também, que a disputa na Capital será polarizada entre tucanos e petistas. Se depender da disposição dos líderes do PSDB, os tucanos devem partir com força total para a disputa municipal na Capital. "Temos de começar a trabalhar desde já porque o prazo para a filiação termina em outubro", destaca o presidente do PSDB em São Paulo, Edson Aparecido. Os tucanos pretendem formar bons quadros não apenas para a disputa na Capital, mas também em todo o Estado. O presidente nacional da legenda, José Aníbal, também aposta no fortalecimento dos tucanos na Capital: "Nas últimas eleições estaduais, o Geraldo (Alckmin) teve 62% de votação na Capital e o José Genoíno (PT) apenas 38%". Apesar do trabalho de fortalecimento do PSDB em São Paulo, estratégia que estará atrelada à administração do governador Geraldo Alckmin, o Partido dos Trabalhadores conta com o fato de deter o comando da Nação, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a administração das três principais cidades do Estado: São Paulo, Campinas e Guarulhos. Mesmo com esse quadro, o presidente nacional do PSDB não acredita que isso seja empecilho: "Diferente do PT, nós temos o que apresentar ao eleitor, somos vitrine e não vidraça", reitera ele. O cientista político acredita que a prefeita de São Paulo pode vir a ser candidata do PT à reeleição. Na opinião dele, Marta faz uma administração eleitoreira. "Ela está investindo no eleitorado, jogando mais para a platéia e menos para o discurso", diz Carvalho Teixeira, acrescentando que essa atitude a fortalece em grandes redutos eleitorais, com a periferia. Vácuo deixado por Palocci preocupa petistas na região de Ribeirão Preto Petistas da região de Ribeirão Preto tentam superar o vácuo político criado com a ida do ex-prefeito Antônio Palocci para o Ministério da Fazenda, e ainda se armam para enfrentar os tradicionais inimigos políticos - PSDB e PFL - para manter, em 2004, a hegemonia local. Esse é o resumo, na opinião de políticos, do quadro que será formado nas eleições municipais no próximo ano. A região é o maior pólo de prefeitos petistas do Estado. Tem o comando de 14 das 38 cidades administradas pelo partido no Estado de São Paulo, entre as quais São Carlos, Araraquara, Franca, Jaboticabal e Bebedouro. Em Ribeirão Preto, mesmo com a renúncia de Palocci e com Gilberto Maggioni, do nanico PMN, no governo, o comando político pouco mudou. O PT ainda tem a maioria dos secretários, elegeu presidente na Câmara, o vereador e ex-secretário de governo de Palocci, Donizete Rosa e até mesmo Maggioni pode vir a se filiar ao partido e ambos disputarem a vaga de candidato oficial. Os petistas só não conseguem conviver com a ausência de Palocci, maior liderança do partido na região. "O Palocci realmente deixou um vácuo e nós temos consciência disso. Mas o partido é bem estruturado e tem várias lideranças capazes de disputar com chances a prefeitura em Ribeirão Preto", disse o presidente do Diretório do PT da Macrorregião de Ribeirão Preto, Moacir Caporusso. Segundo ele, em março, durante o encontro de representantes dos 84 diretórios regionais, em Ribeirão Preto, o PT iniciará as discussões para o processo eleitoral do próximo ano. O partido tem consciência ainda que terá contra ele o poder dos tucanos e do PFL, no que promete se transformar em uma guerra eleitoral na cidade em 2004. Tem ainda a esperança de contar com o apoio municipal e regional do PMDB. "O PMDB é e continuará sendo nosso parceiro nas próximas eleições", completou Caporusso. O PSDB tem hoje como maior liderança na região o deputado estadual licenciado e atual secretário da Agricultura e do Abastecimento do Estado de São Paulo, Antônio Duarte Nogueira Júnior, já derrotado por Palocci nas duas vezes em que este foi prefeito. Nogueira nega veementemente que será candidato, o que pode ser verdade, e a aposta dos tucanos deve ser centralizada em três nomes: o ex-prefeito José Roberto Jábali, que governou a cidade entre 1997 e 2000, sua mulher, Mariana Jábali, ou sua ex-vice-prefeita, Delvita Pereira Alves, atual presidente do Diretório Municipal do PSDB na cidade. Se depender dela, o partido vai formar uma ampla frente antipetista em Ribeirão Preto. "Nós já estamos conversando com vários partidos, como o PTB e o PFL, e buscamos uma união contra a atual administração", afirmou Delvita. Só que o PTB tem como nome forte à sucessão o também ex-prefeito Welson Gasparini, candidato mais votado a deputado federal na cidade, que só não foi eleito para o cargo por não ter base política na região. Situação oposta vive o deputado federal reeleito Coraucci Sobrinho (PFL), que tem boa base na região, mas não tem voto em Ribeirão. Região Se em Ribeirão Preto a situação do PT é uma incógnita, na região o quadro, pelo menos do partido, está praticamente definido. Em São Carlos, o prefeito Newton Lima é candidato à reeleição e deve enfrentar nomes de peso, como o ex-prefeito Dagnone de Melo (PTB), o deputado federal Lobbe Neto (PSDB) ou ainda o também tucano, Paulo Altomani. Quadro semelhante deverá ocorrer com o PT em Araraquara, com o prefeito Edinho Araújo, e em Bebedouro, com Davi Peres Aguiar, ambos candidatos à reeleição. Já em Franca, o prefeito Gilmar Dominici (PT) já está em seu segundo mandato consecutivo e não pode mais se candidatar, assim como a prefeita de Jaboticabal, Maria Carlota Niero Rocha. O candidato do PT em Franca deve ser o vice-prefeito e secretário da Educação, Cassiano Pimentel, ou o vereador e secretário de Obras, Rubens Fasiolli, ambos candidatos derrotados a deputado nas últimas eleições. Para tentar encerrar o ciclo de oito anos de governo do PT na cidade, dois deputados estaduais surgem como nomes naturais: o tucano Roberto Engler, que inicia em março seu quarto mandato à Assembléia Legislativa, e Gilson de Souza (PPB), que já foi candidato a prefeito outras vezes e que surpreendeu ao ser eleito para seu primeiro mandato no Legislativo. Engler, que nega sua candidatura, dá o tom de como o partido deve se comportar em 2004. "O PT só foi reconduzido ao poder em Franca porque a oposição não se uniu em 2000. Vamos trabalhar para que isso não volte a acontecer e para que haja um candidato do PSDB à frente dessa frente", afirmou o deputado.

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