PT e PSDB duelam na internet após absolvição de Renan

A absolvição do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), no processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, em sessão secreta realizada ontem, por um placar de 35 votos favoráveis à cassação, 40 votos pela absolvição e 6 abstenções, continua rendendo ataques e críticas mútuas entre tucanos e petistas na internet. O PSDB sustenta a tese de que a ação do PT e do governo Lula foi decisiva para o placar final da votação. Em contrapartida, o PT foi buscar nos autos de 2003 do próprio Senado o argumento de que, na ocasião, o PSDB votou contra a emenda constitucional que tentava instaurar o voto aberto na Casa.Para as lideranças tucanas, a absolvição de Calheiros ocorreu com a anuência do PT e com os votos dos seis senadores que optaram pela abstenção. Como forma de tentar capitalizar a indignação popular decorrente do resultado dessa votação, as lideranças tucanas já anunciaram que vão apoiar integralmente as propostas que tramitam na Casa e que prevêem, entre outras medidas, o fim da sessão secreta e do voto secreto nos casos de cassação de mandato. Em contrapartida, no site do PT, o deputado federal Dr. Rosinha (PR) classifica essa atitude de "incoerente, oportunista e demagoga", alegando que em 2003 a bancada tucana se posicionou contrária ao voto aberto no Senado.Para defender este argumento, o deputado petista cita que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) de autoria do senador Tião Viana (PT-AC) - de número 38/2000 e que pretendia estabelecer o voto aberto na Casa - foi derrotada em votação nominal no plenário, no dia 13 de março de 2003, com a ajuda de senadores tucanos que hoje defendem o voto aberto. Além dos tucanos, o parlamentar petista diz que a bancada do antigo PFL na Casa (hoje Democratas) também contribuiu para a derrubada desta PEC, com 13 votos contrários.Registros de 2003 do Senado Federal indicam que os senadores que hoje fazem oposição cerrada ao governo Lula, como Arthur Virgílio (PSDB-AM), Sérgio Guerra (PSDB-PE), Tasso Jereissati (PSDB-PE), José Agripino (DEM-AL) e Heráclito Fortes (DEM-PI) votaram contra a PEC que pretendia instituir o voto aberto na Casa. Mas não foram apenas os oposicionistas que derrubaram a PEC, o próprio senador Renan Calheiros e José Sarney (PMDB-AP), por exemplo, também decidiram contra o voto aberto.

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