PT e PSDB apoiam proporcionalidade em pleito de mesa

Os dois partidos com as maiores bancadas de vereadores eleitos em São Paulo - PT e PSDB - estão entrando em acordo sobre a adoção do princípio de proporcionalidade para a composição da mesa diretora da Câmara Municipal. Parte da bancada do PSDB assinou na quarta-feira (21) um documento do PT propondo a adoção deste princípio na próxima legislatura.

GUILHERME WALTENBERG, Agência Estado

22 de novembro de 2012 | 20h37

Por esse princípio, o PT, que elegeu 11 vereadores, ficaria com a presidência da Casa e o PSDB, com 9, com a primeira secretaria. O terceiro partido com a maior bancada, PSD, 7 vereadores eleitos, é contra a proposta e trabalha para tentar reeleger o atual presidente, José Police Neto (PSD). A eleição é realizada no dia 1º de janeiro. São necessários 28 votos para eleger o presidente.

Apesar de o PT ainda não ter um candidato definido para concorrer à presidência da Câmara, a reportagem apurou que dois nomes disputam a nomeação: José Américo e Arselino Tatto. De acordo com uma fonte do partido, Américo lidera a corrida com o apoio de seis dos 11 vereadores eleitos. Tatto tem quatro votos e um dos vereadores não se definiu. A reunião que irá decidir o candidato do partido será realizada na próxima terça-feira (27).

Falando como "provável candidato do PT", o vereador José Américo defendeu a adoção do princípio da proporcionalidade ressaltando que a Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) já a utiliza. "É uma tese defendida pelo PT e pelo PSDB. O executivo não é formado de maneira pluripartidária, o legislativo sim. Sempre que possível, deve ser formada proporcionalmente", argumentou.

O líder do PSDB na Câmara, Floriano Pesaro, afirmou que está conduzindo a negociação com os vereadores do partido para que apoiem o documento petista de apoio ao princípio da proporcionalidade. Ele disse ainda que o partido reivindica que esse princípio seja estendido também na composição das comissões, CPIs e relatorias. "Num esforço coletivo da Casa, buscamos criar um consenso para manter a proporcionalidade partidária, resultado da escolha popular do voto que reflete no tamanho das bancadas", argumentou Pesaro. O vereador afirmou que o partido ainda não definiu nomes de quem deve assumir os cargos. "Estou escutando cada um dos novos parlamentares do PSDB, querendo saber qual o perfil do mandato que eles querem desenvolver antes de escolhermos isso", afirmou.

O vereador Marco Aurélio Cunha, líder do PSD na Câmara, questiona a adoção do princípio, dizendo que os partidos defendem quando convém. "(O princípio) é usado quando convém. Não acredito que seja uma questão constituída. Não está no regimento. Como toda ideia, pode ser aprovada ou não", comentou. Ele disse que o PSD mantém a defesa da reeleição de Police Neto para a presidência.

Outro partido que assinou essa carta de princípios é o PTB. Com quatro vereadores eleitos, o partido deve ter um espaço na mesa diretora. De acordo com o vereador Celso Jatene, o partido deve ficar com uma segunda vice-presidência ou segunda secretaria. "Há três bancadas com quatro vereadores (PTB, PV e PMDB). Na nossa conta, o PTB escolhe antes dos outros dois, em razão do princípio de antiguidade e anterioridade", afirmou o vereador. O nome mais forte do partido para assumir a vaga é a do vereador Adilson Amadeu. "A tendência é que seja ele", avaliou.

O PSB, que elegeu apenas três vereadores, ainda não fechou apoio à proporcionalidade. De acordo com o vereador Eliseu Gabriel, o partido vê a ideia com bons olhos, mas ainda não fechou apoio. "Estamos considerando ainda, decidiremos em breve. É um princípio interessante. (O problema) é que na proporcionalidade a gente fica fora (da mesa diretora)", comentou.

Tudo o que sabemos sobre:
CâmaraSPPTPSDB

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.