PT e PMDB vão fatiar mandato na Câmara

Segundo o vice eleito Michel Temer, cada partido vai presidir a casa por dois anos

Rosa Costa, de O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2010 | 20h15

BRASÍLIA - Após tomar café da manhã com a presidente eleita Dilma Rousseff, na casa dela no Lago Sul, em Brasília, o vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), afirmou que seu partido e o PT assinarão um documento para dividir o comando da Câmara nos próximos quatro anos, cabendo um biênio a cada um. Entretanto, ressalvou que a escolha de quem ocupará o primeiro biênio ficará para janeiro.

 

O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves (RN), e o líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), travam uma queda de braço pelo cargo. Alves declarou recentemente que não abre mão de assumir a presidência da Casa já em 2011.

 

Temer, por sua vez, deve renunciar à presidência do PMDB dias antes de assumir o novo cargo. O deputado Eunício Oliveira (PMDB-CE), eleito senador, é o nome mais forte para sucedê-lo no comando do partido.

 

Membros das bancadas peemedebista afirmam que o senador eleito tem o apoio de Temer para sucedê-lo, além do voto da maioria dos colegas.

 

Disputa interna

 

Eles lembram que Temer poderia acumular os dois cargos, desde que enquadrado ao dispositivo do Estatuto que prevê seu licenciamento automático do cargo nas vezes em que substituir Dilma na presidência. Mas entendem que ele será mais bem sucedido nas articulações no Congresso e terá mais chance de atuar na esfera do Executivo, se abrir mão da presidência em favor de alguém de sua confiança.

 

Eunício Oliveira afirma que seu nome "está à disposição do partido". "Está indo bem essa conversa, tenho de ter a humildade de dizer que não recusaremos um cargo como esse".

 

Três vezes deputado, duas vezes líder do partido, ex-ministro das Comunicações, o deputado tem ainda a seu favor os 34 anos de filiação exclusiva ao partido. "Somos uma família de peemedebista", afirma, referindo-se à ligação de seus pais e do sogro, o ex-deputado Paes de Andrade, com o partido.

 

Sua escolha para o lugar de Temer é tida como certa na Câmara. "Ele já vinha trabalhando para ocupar o cargo", afirma o deputado Leonardo Quintão (PMDB-MG). Mesmo seu colega dissidente, Raul Henry (PMDB-PE), diz que sabia de sua decisão de disputar o "segundo posto" do partido.

 

Futuro senador, Eunício Oliveira acredita que não terá dificuldade em ganhar o apoio de seus futuros colegas. Para Gilvam Borges (PMDB-AP), sua eleição está assegurada. "Vai ser ele mesmo, não surgiu nenhum outro nome que se predisponha à disputa", alega. Com a presidência do PMDB, ele sai da disputa de outros cargos no Senado, como a presidência e as comissões de maior peso, o que facilitará a disputa na Casa.

 

O Estatuto do PMDB prevê que, com a renúncia do presidente, a vaga será ocupada pelo vice presidente, no caso, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO), até que seja eleito seu sucessor, no prazo máximo de 60 dias. Raupp tem dito a seus colegas que tem interesse em disputar o cargo, mas ele acha que só depois da renúncia de Michel Temer é que deve tratar do assunto.

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