PT e PMDB reafirmam rodízio para presidir Câmara

Com apoio do PT, líderes peemedebistas anunciam Henrique Eduardo Marques (RN) como candidato à sucessão de Marco Maia

Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo

08 de agosto de 2012 | 20h46

Seis meses antes da eleição para a presidência da Câmara, o comando do PT reafirmou o apoio ao candidato do PMDB em um ato no qual procurou afastar as dúvidas peemedebistas e manifestar publicamente o cumprimento de acordo com o partido. Embora as duas legendas tenham assinado um protocolo de apoio mútuo para a eleição da Mesa durante este mandato, as inseguranças do PMDB cresceram na mesma medida que setores petistas passaram a defender uma candidatura própria.

Após a reafirmação do apoio petista, o vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer, e o presidente do PMDB, Valdir Raupp (RO), anunciaram de imediato o líder peemedebista Henrique Eduardo Alves (RN) como o candidato à sucessão de Marco Maia (PT-RS) no comando da Câmara.

O ato desta quarta foi cheio de simbolismos e de troca de elogios. O presidente do PT, Rui Falcão, foi à sede do PMDB em Brasília e fez declarações taxativas. Ele lembrou que desde o acordo de rodízio assinado em 3 de novembro de 2010, que definiu o PT na presidência da Câmara no biênio 2011-2012 e o PMDB no próximo, 2013-2014, muitas especulações surgiram. "Nesse meio tempo houve muito disse me disse e achei que era importante reafirmar esse compromisso", disse o petista. "Esse é um fato importante. A gente desfaz qualquer especulação", continuou. "O PT é um partido que tem palavra, e acordo político foi feito para cumprir. Nosso compromisso é que todos os nossos votos, de todos os nossos deputados, irão para o PMDB", declarou.

O vice-presidente fez questão de relatar que foi procurado por Rui Falcão para renovar o acordo. "Não achei necessário, mas o Rui insistiu", disse Temer. A formalização do apoio do PT novamente agora foi um dos componentes que permitiu a negociação que levou o PMDB de Minas Gerais a renunciar à disputa pela prefeitura de Belo Horizonte e apoiar o candidato petista Patrus Ananias. O PMDB não condicionou a troca de apoio, mas o entendimento abriu caminho para a aliança.

O mesmo mantra de que acordo político tem de ser cumprido foi repetido pelo líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), e por Henrique Alves. "O que vale é a palavra, é o compromisso, é a honra", disse Alves. "Nunca duvidei que esse fato um dia ia acontecer", afirmou o peemedebista.

A eleição dos presidentes da Câmara e do Senado será apenas no dia 1º de fevereiro do próximo ano, mas os apoios começam a ser definidos neste segundo semestre. A cúpula peemedebista trabalha para fechar o cerco de apoio partidário impedindo espaço para o surgimento de eventuais candidaturas adversárias na base de sustentação da presidente Dilma Rousseff. Uma eventual aliança do PSB com o PSD na eleição da Mesa da Câmara pode ameaçar a pretensão peemedebista. Por isso, Henrique Alves afirmou que vai procurar todos os deputados e que o apoio do PT é apenas o começo. "O candidato escolhido terá de buscar o apoio de todos. Essa é a tarefa que hoje iniciamos", disse.

O argumento que alimentou a resistência de setores do PT contra a candidatura de um peemedebista na Câmara está ligado à presidência do Senado. Petistas consideram que PMDB não deve ficar com o poder absoluto do Congresso na presidência das duas Casas. Essa concentração de poder poderia deixar a presidente Dilma Rousseff refém do PMDB. Enquanto a Câmara aceita candidaturas avulsas, no Senado, as regras destinam o cargo ao maior partido, no caso, o PMDB. O líder da bancada no Senado, Renan Calheiros (AL), é um dos nomes cotados para substituir o atual presidente, José Sarney (PMDB-AP).

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